20 Fevereiro, 2015 17:55
Os vocabulários de Moçambique e Timor-Leste já integram a plataforma
comum criada pelo Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), a
que Cabo Verde se juntará em maio, adiantou hoje a diretora deste
organismo.
Desde quarta-feira, estão disponíveis quatro vocabulários nacionais —
de Portugal, Brasil, Moçambique e Timor-Leste — na plataforma
Vocabulário Ortográfico Comum (VOC), disponível para consulta pública
através do portal do IILP, organismo da Comunidade dos Países de Língua
Portuguesa (CPLP).
Em declarações à Lusa, à margem do seminário “Projeção Internacional
da Língua Portuguesa: presente e futuro”, que hoje se realizou na sede
da CPLP, em Lisboa, a diretora executiva do IILP adiantou que o
vocabulário de São Tomé e Príncipe “já está parcialmente elaborado”, mas
precisa ainda da “validação das autoridades nacionais”.
Marisa Mendonça destacou “a inexistência de recursos humanos” para “o
trabalho profundo de lexicografia” necessário à construção do VOC, para
justificar os ritmos “diferentes” dos países lusófonos.
Trata-se de “um processo em desenvolvimento”, frisou. “Não sabemos
dar informações” sobre Angola, disse, realçando, porém, que o governo de
Luanda “disponibilizou fundos” para que o projeto “fosse levado
avante”.
O VOC — que será “permanentemente atualizado” – é a plataforma que
alberga os instrumentos que determinam legalmente a ortografia da língua
portuguesa e foi oficialmente reconhecido pelos Estados-Membros da CPLP
nas conclusões finais da X Conferência de chefes de Estado e de Governo
da CPLP, em julho de 2014, em Timor-Leste.
O VOC — explicou Marisa Mendonça — “mostra a singularidade dos
vocabulários nacionais” e, simultaneamente, “a pluralidade da língua
portuguesa”, tentando uniformizar a escrita, por exemplo acabando com a
dupla grafia de palavras.
Originária de Moçambique, Marisa Mendonça recorre à palavra
“capulana” como exemplo. Comum em Moçambique, pois designa os panos
coloridos que as mulheres atam à cintura, a palavra “capulana” é mais
rara nos restantes países lusófonos.
“Este é um empreendimento gigantesco, inovador, pioneiro, sobretudo
para os países africanos lusófonos, e que significa muito trabalho”,
destaca Marisa Mendonça, acrescentando que o VOC vai receber em breve
também terminologias científicas.
Marisa Mendonça disse ainda que o IILP vai prosseguir com dois outros
projetos: o Portal do Professor de Português Língua Estrangeira,
plataforma eletrónica que oferece a professores recursos e materiais
para o ensino e a aprendizagem do português; e a revista Platô,
periódico semestral, em formato digital, de acesso público e gratuito.
“Esta direção continua a considerá-los como projetos bandeira do
IILP, que foram muito bem pensados e bem iniciados. O nosso compromisso
agora é conversar com as instituições parceiras a forma de desenvolver
estes projetos”, disse.
Presente no mesmo seminário, o presidente do Conselho Científico do
IILP, Raúl Calane Silva, defendeu que os Governos dos países da CPLP
“devem empenhar-se cada vez mais nos projetos, mesmo a nível
financeiro”.
As comissões científicas nacionais junto do IILP reuniram-se esta
semana, em Lisboa, para discutir questões de ordem científica, técnica e
burocrática.
“Um dos grandes propósitos agora é dinamizar as comissões nacionais
do IILP em relação a estes projetos principais e também a outros para a
consolidação e expansão da língua portuguesa”, realçou Calane Silva.
Fonte: http://oje.pt/mocambique-e-timor-ja-integram-plataforma-comum-da-lingua-portuguesa/