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quinta-feira, 15 de outubro de 2015

OAB quer discutir grafia de palavras com signatários do acordo ortográfico


A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) quer discutir a definição da grafia de algumas palavras da língua portuguesa com os demais países signatários do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.
No dia 12 de novembro, o Conselho Federal da OAB vai apresentar um relatório detalhando as sugestões na Academia de Ciências de Lisboa, em Portugal. A partir de então, o debate poderá ser ampliado também para os países do Ccontinente africano.
No Brasil, o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa passa a ser obrigatório no ano que vem, mas, para a OAB, as novas regras ainda deixam dúvidas na grafia de algumas palavras, que ainda não constam no dicionário da língua portuguesa. A Ordem quer que as sugestões sejam incorporadas ao Sexto Vocabulário Comum da Língua Portuguesa, em 2016.
No início do ano, a OAB buscou a Academia Brasileira de Letras (ABL) e o Ministério das Relações Exteriores para propor definições de palavras que têm impacto no meio jurídico. A intenção agora é levar o debate para os outros países.
“Será o início de um projeto que queremos desenvolver em todas as ordens dos advogados e nos órgãos oficiais desses países”, explica o representante oficial da OAB para assuntos ligados ao Tratado Internacional da Língua Portuguesa, Carlos André Nunes. Além do Brasil, assinam o acordo Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.
Na última terça-feira (6) Nunes conversou sobre questões do acordo em encontro com o embaixador português, Francisco Ribeiro Telles. Segundo o representante da OAB, o tratado ainda é alvo de polêmica, principalmente em Portugal, onde metade da população concorda e metade discorda.
Para o advogado, falta mobilização no Brasil. “Neste momento a sociedade civil precisa debater o assunto. O acordo vai entrar em vigor, mas a nossa preocupação é com o vocabulário, queremos que sejam retirados os problemas que o acordo tem. É importante que outros grupos além da OAB, saibam que também podem fazer sugestões.”
Fonte:http://anec.org.br/blog/2015/10/14/oab-quer-discutir-grafia-de-palavras-com-signatarios-do-acordo-ortografico/

sábado, 12 de setembro de 2015

Suma Gramatical da Língua Portuguesa


Em suas 800 páginas, a Suma Gramatical da Língua Portuguesa - Gramática Geral e Avançada,reflete toda a experiência de seu autor no manejo e no ensino da nossa língua.

A Suma Gramatical da Língua Portuguesa - Gramática Geral e Avançada, não só reafirma a necessidade imperiosa da Gramática e seu caráter essencialmente  normativo,mas aprofunda-se solidamente em seus pressupostos teóricos, a fim de fazer frente tanto aos numerosos ataques que lhe movem  como às próprias debilidades da tradição gramatical.

O autor: Carlos Nougué é Professor de Filosofia, de Tradução e de Língua Portuguesa. Tradutor de Filosofia, Teologia e Literatura (do latim, do francês, do espanhol e do inglês). Lexicógrafo, ganhador  do Prêmio Jabuti de Tradução/1993 e finalista do Prêmio Jabuti/2005 pela traduçãode D. Quixite da Mancha,de Miguel de Cervantes (edição oficial do quarto centenário da edição príncipes).
Já traduziu autores como Cícero, Santo Agostinho, Santo Tomás de Aquino, G.K Chesterton,Louis Lavelle, Xavier Zubiri.

Oocupou a cadeita de Língua Portuguesa e Tradução Literária durante mais de nove meses numa pós-graduação (UFG).

OAB reúne especialistas em acordo ortográfico

28/08/2015
Brasília – A OAB Nacional sediou nesta quinta-feira (27) audiência pública sobre o Novo Acordo Ortográfico, previsto para entrar em vigor em 2016. No evento, que contou com a presença de especialistas na língua portuguesa, foram feitas críticas ao texto elaborado pelos países signatários, principalmente quanto à clareza das regras e como será o impacto na educação do Brasil.
Organizado pelo membro da OAB-GO Carlos André Nunes, a audiência pública teve como convidados a senadora Ana Amélia e os professores Pasquale Cipro Neto e Ernani Pimentel. Os estudiosos são membros de Grupo Técnico do Senado para o Novo Acordo Ortográfico.
O representante da Ordem abriu o evento com uma explicação acerca da importância e do impacto do acordo, trazendo aos presentes os aspectos jurídicos que incidem sobre a língua portuguesa. “É uma questão de direito público o bom aprendizado da norma culta da língua, que está prevista na Constituição Federal e em diversas leis”, afirmou Carlos André.
Para o advogado, a OAB tem papel fundamental na implantação correta do acordo. “A Ordem não vai silenciar frente a um mau acordo, porque isto gerará dificuldades nos processos educacionais. O povo exige que o Brasil seja mesmo uma pátria educadora”, asseverou.
Nunes também destacou a participação da Ordem na elaboração e unificação de grafia de termos técnicos da advocacia com os demais países do acordo, com encontros com a Ordem dos Advogados Portugueses, ente outros.
A senadora Ana Amélia (PP-RS) traçou histórico das discussões sobre o Acordo Ortográfico no âmbito do Parlamento, que conseguiu o adiamento da entrada em vigor do projeto. Foram realizadas diversas audiências públicas e reuniões da Comissão de Educação, Esporte e Cultura. “Saudamos a iniciativa da OAB de realizar mais uma audiência para amadurecermos o assunto”, disse.
Um dos mais respeitados professores de português do Brasil, Pasquale Cipro Net teceu críticas ao acordo, ou como chama, “desacordo ortográfico”. “Houve correria na elaboração do texto, que carece de qualidade e precisão. Várias dúvidas foram resolvidas de forma aleatória e arbitrária. O argumento de que o acordo servirá para fortalecer o português internacionalmente não é verdade, pois várias línguas fortes, como o inglês, mantiveram suas diferenças. As diferenças não têm de ser eliminadas, mas aplaudidas. É importante que a OAB se envolva na questão, pois traz grande respaldo social”, explicou.
Para Ernani Pimentel, também especialista na língua portuguesa, é necessário que a sociedade se envolva mais no assunto, pois toda ela será afetada. “Todos precisam parar e pensar que precisamos escrever de maneira mais sensata. A educação tem que usar lógica e não memorização”, afirmou.  
Propostas

Carlos André Nunes explicou na audiência pública os problemas apontados pela OAB no Acordo Ortográfico, entre eles acentos diferenciais, a acentuação em oxítonas e paroxítonas, o uso do trema em determinadas palavras. Outro tema proposto é a melhoria das regras das iniciais maiúsculas e minúsculas de palavras como “país” e “cidade”.
Na nota técnica, a Ordem também aponta falta de clareza nas regras do hífen, além de problemas na aplicação do instrumento em termos jurídicos como “coerdeiro” e “pré-executividade”. “Propõe-se que o Vocabulário Ortográfico Geral da Língua Portuguesa possua o maior número possível de vocábulos de natureza técnica”, sugere a OAB.
Fonte: http://www.oab.org.br/noticia/28693/oab-reune-especialistas-para-debater-melhorias-em-acordo-ortografico

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Aplicação do Acordo Ortográfico em Timor-Leste ainda é prematura - linguista


"Não se chegou ainda aos níveis de debate de subtileza da língua. Ainda estamos muito longe. A grande prioridade é a disseminação da língua em si e não se é a antiga ou a nova", explicou à Lusa Benjamim Corte-Real, diretor-geral do Instituto Nacional de Linguística (INL) da Universidade Nacional de Timor Lorosae (UNTL).

Corte-Real considerou que, em Timor-Leste, temas como os debates relacionados com o Acordo continuam distantes, apesar do INL estar já a trabalhar no sentido da sua implementação.

"Na comissão nacional do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), trabalhamos já em perfeita sintonia com o AO, embora alguns membros não tenham o domínio perfeito", afirmou.

"O estado de espírito, mesmo a nível do ministério é no sentido de implementar o AO", sublinhou.

Mas esses debates mais técnicos ainda estão longe, até porque importa é disseminar o português por Timor-Leste, processo, disse, que exige "que se intensifique a leitura, se cultive a leitura, a sensibilidade artística da língua".

"Temos que criar um espírito competitivo. Uma campanha forte para se ter noções mais finas do uso da língua. A minha perceção é que há disposição, prontidão por parte da população em geral sobre o português. Basta ir injetando incentivos para as pessoas poderem começar essa nova aposta", afirmou.

Timor-Leste ratificou o AO em 2009, com três resoluções do Parlamento Nacional sobre a matéria: 14/2009 que aprova a adesão, a 18/2009 que aprova o segundo protocolo modificativo e a 19/2009 que aprova o protocolo modificativo.

O tema voltou a suscitar alguma atenção só no ano passado quando se deslocou a Timor-Leste uma delegação do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP) para ajudar a promover a o Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa (VOC), o Portal do Professor de Português (PPPLE) e o Vocabulário Ortográfico Nacional de Timor-Leste (VON-TL).

Tal com ocorre em Portugal ou noutros países, em Timor-Leste também se ouvem vozes com opiniões discordantes sobre vantagens e desvantagens do AO, ainda que, pela situação do país, este seja um debate "muito prematuro".

Sobre aspetos mais técnicos, como um maior recurso á fonética que o AO implica, Corte-Real admitiu que simplificações como retirar letras mudas pode ajudar em palavras 'importadas' do português para o tétum, como 'ação'.

"O tétum segue o princípio de que para começar é melhor começar simples e fácil. Não é sempre fonética, nem fonémica. Mas retirar as consoantes silenciosas, por exemplo, pode, na correspondência, ser uma coincidência feliz", afirmou.

"É maior vantagem para o tétum escrever hospital sem H. Do ponto de vista do tétum. Mas isto não significa que vamos escrever em português sem 'h'. Já retirar o 'c' mudo de uma palavra portuguesa faz muito sentido, no caso das palavras importadas", referiu.

Corte-Real recordou que, nos primeiros anos da ocupação indonésia, quando o indonésio era imposto aos timorenses, muitos também tinha alguma resistência, mas que hoje a realidade é outra.

"O indonésio não foi logo aprendido nos primeiros anos. Foi muita criticado. Aprendiam palavras soltas para passar a mensagem falsa de submissão, para assegurar a sobrevivência. Mas foi sempre visto como algo inferior ao estatuto das línguas já conhecidas em Timor na altura, nomeadamente o português", afirmou.

O Acordo Ortográfico foi ratificado pela maioria dos países lusófonos, à exceção de Angola e Moçambique. Em Angola ainda nem foi aprovado pelo Governo e em Moçambique aguarda a ratificação pelo parlamento.

Portugal e Brasil estabeleceram moratórias para a aplicação do acordo, estando prevista a entrada em vigor efetiva a 13 de maio e a 01 de janeiro próximos, respetivamente.

Fonte: http://noticias.sapo.tl/portugues/info/artigo/1440717.html

Ministro da Cultura do Brasil e AO com harmonização

O Ministro da Cultura do Brasil, João Luiz Ferreira, admitiu hoje ter havido um excesso de normatização do Acordo Ortográfico (AO) em detrimento da harmonização das diferenças entre os vários países de língua portuguesa.
“Acho que talvez tenhamos errado no acordo [ortográfico] porque pensámos mais na normalização como epicentro desse processo de normatização e de fortalecimento da língua e talvez tenha havido um pouco de descuido em relação à construção desse ambiente de cooperação na área da criação”, afirmou o ministro durante a apresentação do Fólio — Festival Internacional de Literatura.
À margem do encontro, João Luiz Ferreira reconheceu à Lusa que o AO “podia ter sido feito com mais harmonização” das diferenças entre os vários países que subscreveram o documento, dado a língua portuguesa ocupar “um espaço geográfico muito grande”, sendo falada “por milhões de pessoas” e desenvolvendo-se “em contextos culturais distintos”.
O acordo, “procura resolver um problema real” e criar “uma base ortográfica comum”, já que “se permitirmos um desenvolvimento ortográfico diversificado não vamos ficar com uma única língua”.
Porém, defende, “para se chegar à regulação de uma língua tão complexa, tão diversa, que vive em contextos culturais tão distintos como a língua portuguesa é preciso começar pelos que se expressam na língua, pelos criadores” e não pelos “normalizadores”.
Em África, “em cada um dos países a língua portuguesa convive e interage com 50 ou 60 outras línguas num processo diário de recriação da própria língua”, lembra, aludindo ainda ao exemplo do Brasil, cujo processo de colonização foi feito “em convivência com línguas africanas, línguas indígenas e construindo um universo muito próprio”.
Daí que o AO “precise de compreender que essa base técnica comum tem que se desenvolver dentro dessa complexidade”, defendeu o governante reconhecendo que o acordo “podia ter sido feito com mais harmonização dessas diferenças”.
Ainda assim Juca Ferreira estima que até ao final do próximo ano, com o Brasil na liderança da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), o AO possa estar implementado em todos os países e que o mesmo possa ser revisto “substituindo algum aspeto que tenha sido detetado e que foi utilizado de alguma forma inadequada”.
A ideia é “revisitar esse acordo permanentemente” para permitir que “a língua e ortografia possam ir evoluindo adequadamente”, concluiu.
Fonte: http://observador.pt/2015/07/07/ministro-da-cultura-do-brasil-defende-acordo-ortografico-com-maior-harmonizacao/

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Marcos Bagno, da UnB, fala sobre Língua Portuguesa


Marcos Bagno nasceu em Cataguases (MG), mas sempre viveu fora de seu estado de origem. Depois de ter vivido em Salvador, no Rio de Janeiro, em Brasília e no Recife, transferiu-se em 1994 para a capital de São Paulo, onde viveu até 2002, quando se tornou professor do Departamento de Lingüística da Universidade de Brasília (UnB), onde atua na graduação e no programa de pós-graduação em Lingüística. Coordena atualmente o projeto IVEM (Impacto do Vernáculo sobre a Escrita Monitorada: mudança lingüística e conseqüências para o letramento escolar).

Leonardo Campos – Um de seus livros mais populares, Preconceito linguístico, está na 50ª edição. O que você atrelaria ao sucesso do livro?

Marcos Bagno – Antes de mais nada, creio que o livro faz sucesso por causa da linguagem que emprego nele. Sem papas na língua, tocando nas feridas e fazendo críticas pesadas a pessoas famosas. Além disso, como tomo partido em favor das pessoas oprimidas, coisa que fica explícita desde a capa do livro, muita gente se identifica como vítima de preconceito linguístico e por isso gosta do livro. Acho também que havia uma lacuna na literatura a respeito desse tema. Muitas pessoas que me escrevem dizem que já tinham pensado nessas coisas deste ponto de vista, mas que jamais tinham encontrado alguém que, de dentro da academia, dissesse tudo com todas as letras.

LC – O ensino de Llíngua portuguesa ainda é controverso na atualidade. Você acredita que há possibilidade de se ensinar lingua portuguesa baseando-se em manuais e regras pré-estabelecidas?

MB – Não, nenhuma controvérsia. As políticas oficiais de ensino já traçam, há mais de dez anos, programas, parâmetros e currículos antenados com os avanços da educação em língua materna e com as pesquisas da lingüística científica. O que existe é uma resistência de muita gente (resistência às vezes irracional) em abraçar os novos paradigmas. Para isso contribui o "desserviço" desses que eu chamo de "comandos paragramaticais", falsos especialistas que se apoderaram dos meios de comunicação para dar lições jurássicas sobre o certo e o errado na língua.

LC – Percebo que A lingua de Eulália e Preconceito linguistico se complementam. É coerente esta citação?

MB – Sim. Na verdade, Preconceito linguístico é fruto de A língua de Eulália. Quando publiquei "Eulália" recebi muitos convites para palestras. Dos textos dessas palestras, pronunciadas em 1998, resultou o livrinho de 1999, Preconceito linguístico.

LC – Qual a sua opinião sobre o Novo Acordo Ortográfico?

MB – Sou plenamente favorável. Com ele, Portugal vai deixar de se arvorar como "dono da língua" e a comunidade internacional vai ter que reconhecer que quem manda mesmo hoje na língua portuguesa é o Brasil, país infinitamente mais importante que Portugal, em todos os sentidos.

LC – Um dos grandes sustos que levamos ao adentrar na universidade é o fato de que nos deparamos com a gramática normativa sendo desconstruída pela gramática descritiva. Parece que estamos desconstruindo algo que iremos reconstruir depois para utilizar em sala de aula. O que acha disso?

MB – As pessoas que ainda acham que vão ter que ensinar a gramática normativa é que estão enganadas. Sei que muita gente acaba escolhendo a pedagogia tradicional do certo e do errado porque não tem formação adequada para trabalhar com os novos conceitos de educação linguística (letramento, variação, discurso, pragmática etc.). Além disso, os livros didáticos mais escolhidos pelos professores ainda são, infelizmente, os de perfil mais gramatiqueiro. No entanto, já está provado que não tem cabimento nenhum despejar em sala de aula a doutrina gramatical tradicional em vez de ocupar o precioso tempo da escola com o que realmente interessa: ler e escrever.

LC – Como o senhor lida com algumas críticas ao seu trabalho, que alegam exagero da sua parte em relação aos preconceitos linguísticos?

MB – Lido com tranquilidade, porque sei que muitas vezes por trás delas está uma ideologia francamente reacionária, às vezes até fascista. Além disso, o que eu digo está em pleno acordo com os desenvolvimentos mais recentes da linguística e da pedagogia de línguas. Grandes nomes da linguística e da educação apóiam plenamente o meu trabalho, de modo que a crítica dos não-especialistas não me incomoda em nada.

LC – E o excesso de livros publicados com regras no uso do bom português, do português ideal?

MB – Este é um fenômeno desolador, que analisei na minha tese de doutorado. Os "comandos paragramaticais" representam a reação conservadora aos novos paradigmas educacionais. Enquanto o MEC vai para um lado, esses aventureiros da mídia vão para o outro, ou melhor, para trás, tentando reverter o que já é irreversível.

Créditos: Leonardo Campos, Graduando em Letras Vernáculas com Habilitação em Língua Estrangeira Moderna - Inglês - UFBA | Membro do grupo de pesquisas “Da invenção à reivenção do Nordeste” – Letras – UFBA | Pesquisador na área de cinema, literatura e cultura
http://www.passeiweb.com/estudos/sala_de_aula/atualidades/marcos_bagno_da_unb_fala_sobre_lingua_portuguesa

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Literatura Popular integra o curso de Letras/UPE


A Universidade de Pernambuco (UPE) é a primeira do Brasil a implantar a disciplina de Literatura Popular como obrigatória no curso de graduação em Letras. A inclusão se deu depois da última reforma das grades curriculares dos cursos de Licenciatura em Letras no campus da instituição em Nazaré da Mata, nas licenciaturas de Português/Inglês e Português/Espanhol. Agora, a prova do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) deste ano, no componente específico da área de Letras tomará como referencial também as manifestações populares da Literatura.

O professor da disciplina na UPE, Josivaldo Custódio da Silva - Doutor em Literatura Popular - foi quem entrou em contato com o Instituto Nacional de estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão responsável pelo sistema de avaliação do Enade, para saber a possibilidade da inserção da Literatura Popular nos conteúdos programáticos referentes aos estudos literários do exame. "O resultado foi favorável à inclusão". Ainda segundo o professor, a Portaria n 258, de 2 de junho de 2014, Artigo 7, inciso II, alínea g, passa contemplar o assunto na prova do exame, a partir deste ano.

Fonte: http://www.upe.br/portal/noticias/upe-implanta-disciplina-de-literatura-popular-no-curso-de-letras/

domingo, 17 de maio de 2015

Acordo Ortográfico é obrigatório em Portugal


A partir do dia 13 de maio de 2015 passa a ser obrigatório, oficialmente em Portugal, o uso do novo acordo ortográfico (AO) da língua portuguesa. Cumprem-se assim seis anos do período de transição, tendo em conta a data de 13 de maio de 2009, que marcou sua entrada em vigor em Portugal.

O assunto, ao longo dos anos sempre gerou uma polêmica exponencial, e hoje há várias ações em tribunal para travar o processo. O que pensam os agentes da palavra sobre isso? É ,ou não, benéfico para a sociedade o novo acordo ortográfico?

Acordo tem erros gramaticais.

Quem o afirma é Maria João Santos, professora de português da Escola Secundária da Amadora.
"Com este novo acordo perdemos letras que representavam sons que abriam as nossa vogais. Perdemos consoantes importantes. Agora escrevemos 'receção' e 'recessão'. Na oralidade fica-se sem perceber se se fala da 'recessão econômica' ou 'receção de alguma coisa", graceja.

"A perda dos hífenes não faz sentido em termos gramaticais, porque nós dizíamos 'fim-de-semana' e isto era uma palavra composta. Agora, com o acordo, dizemos que um substantivo. E não é nada. São três substantivos, 'fim', 'de', 'semana'. O acordo gramaticalmente, tem muitas falhas", sublinha a professora.

Fonte:http://jpn.up.pt/2015/05/13/acordo-ortografico-agora-obrigatorio-nao-unanime/

terça-feira, 24 de março de 2015

OAB pede mudanças no Acordo Ortográfico.



Escreve-se Lava-jato ou lava jato? Hora extra ou hora-extra? O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa passa a ser obrigatório no ano que vem, mas a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), ainda deixa dúvidas na grafia de certas palavras como essas, que ainda não constam nos dicionários da língua portuguesa. Para buscar maior clareza, a OAB decidiu conversar com representantes do governo e da Academia Brasileira de Letras (ABL) para propor mudanças nas regras do acordo.

A reunião hoje (16/03/2015) foi no Itamaraty e amanhã (17/032015) haverá discussão com membros da ABL. A intenção é que, até setembro, sejam consolidadas mudanças para eliminar brechas na grafia de determinadas palavras. "O acordo ainda não está claro. Queremos fazer algo mais lógico. A língua não é feita para intelectuais. O povo tem que saber grafar. Perde-se muito tempo sendo alfabetizado", diz o especialista em língua portuguesa e representante da OAB para Assuntos sobre Nova Ortografia, Carlos André Nunes

No Itamaraty, Nunes reuniu-se com o secretário Jorge Tavares, do Departamento do Itamaraty para Promoção da Língua Portuguesa. A OAB pediu uma cadeira na comissão nacional que acompanha o Tratado Internacional do Acordo Ortográfico. Para tanto ,deve se reunir ainda com representantes do Ministério da Educação e novamente com o pessoal do Itamaraty. Uma reunião com a comissão deverá ser marcada, "o mais breve possível", para a discussão técnica de possíveis mudanças.

Uma das questões principais em debate é o uso do hífen. A tão escrita Lava jato, que dá nome à operação da Polícia Federal que investiga desvio de recursos na Petrobras, entra no rol das palavras duvidosas. "A imprensa grafa de todas as maneiras, com e sem hífen. O acordo não está claro. Quando duas palavras se juntam e dão origem a outra palavra, tem hífen. Mas segundo a academia, quando se perde a noção de composição e não se  sabe a origem da palavra, como é o caso, não se usa hífen", explica Nunes.

Há dúvidas também em palavras usadas no meio jurídico, como hora extra, que pode ser usada com hífen, caso se entenda que é um termo único, ou sem ele, quando se entende o termo como uma hora extraordinária. No último caso, extra é característica da hora.

Outras dúvidas surgem no uso das letras maiúsculas ou minúsculas, como no caso de país. A OAB vai sugerir que a palavra seja grafada com letra maiúscula quando se referir a um termo já citado. Por exemplo, se um texto mencionar Brasil e logo em seguida país, escreve-se País. A OAB também não está satisfeita com a eliminação do trema, que segundo a entidade, é fundamental para definir a pronúncia de determinadas palavras.

Segundo Nunes, a questão passa a ser competência da OAB na medida em que consta na Constituição Federal , devendo, então, ser protegida pela entidade.

O acordo que visa a padronização das regras ortográficas foi assinado em 1990 com outros países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). No Brasil, o acordo foi ratificado em setembro de 2008 e as novas regras já estão em uso, embora em caráter não obrigatório, desde 1 de janeiro de 2009. Caso as sugestões sejam aceitas, serão levadas aos demais países que integram o acordo: Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissal, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe.

A OAB solicitou audiência também com o Senado e Casa Civil da Presidência da República, e espera que haja posicionamento de ambos quanto ao agendamento até o final da semana.

Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2015-03/oab-pede-mudancas-no-acordo-ortografico-da-lingua-portuguesa

sábado, 14 de março de 2015

O Acordo Ortográfico vai ter que ser cobrado politicamente


É bom que se saiba quem, na classe política, foi a favor do Acordo Ortográfico que desfigurou a língua portuguesa, porque o povo português terá direito a um ajuste de contas com a História. 

Desde logo e em primeiro lugar, todos os ministros da Educação desde 1990: quem cala, consente. Depois, todos os primeiros-ministros desde essa data; todos os presidentes da república e principalmente o actual que era primeiro-ministro quando Santana Lopes — o dos “violinos de Chopin” — assinou o acordo com as “santanetes” brasileiras. 

É preciso que mantenhamos a memória; é preciso não esquecer e legar a memória da desgraça às gerações futuras. 

Nunca a liberdade é tão grande quando no-la querem tirar, quando nos pretendem oprimir; e não há maior opressão do que aquela que nos pretende retirar a identidade. E, neste sentido, a III república tem sido uma tirania, não só alienando a soberania portuguesa e fazendo ajoelhar a pátria, como chegando ao ponto de sonegar ao povo a sua própria identidade. 

“A imposição do Ministério da Educação desagrada a muitos alunos e professores e, na Escola Secundária de Camões, em Lisboa, os estudantes criaram uma comissão que está a lutar pela tolerância. Uma das primeiras medidas da Comissão Estudantil para a Tolerância quanto ao AO90 nos Exames foi o lançamento de uma petição online.”
→ Acordo ortográfico: a luta já chegou aos alunos

Orlando Braga
13 de Março de 2015


Fonte: http://historiamaximus.blogspot.com.br/2015/03/o-acordo-ortografico-vai-ter-que-ser.html

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Moçambique e Timor já integram plataforma comum da língua portuguesa

 
20 Fevereiro, 2015 17:55

Os vocabulários de Moçambique e Timor-Leste já integram a plataforma comum criada pelo Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), a que Cabo Verde se juntará em maio, adiantou hoje a diretora deste organismo.

Desde quarta-feira, estão disponíveis quatro vocabulários nacionais — de Portugal, Brasil, Moçambique e Timor-Leste — na plataforma Vocabulário Ortográfico Comum (VOC), disponível para consulta pública através do portal do IILP, organismo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Em declarações à Lusa, à margem do seminário “Projeção Internacional da Língua Portuguesa: presente e futuro”, que hoje se realizou na sede da CPLP, em Lisboa, a diretora executiva do IILP adiantou que o vocabulário de São Tomé e Príncipe “já está parcialmente elaborado”, mas precisa ainda da “validação das autoridades nacionais”.

Marisa Mendonça destacou “a inexistência de recursos humanos” para “o trabalho profundo de lexicografia” necessário à construção do VOC, para justificar os ritmos “diferentes” dos países lusófonos.

Trata-se de “um processo em desenvolvimento”, frisou. “Não sabemos dar informações” sobre Angola, disse, realçando, porém, que o governo de Luanda “disponibilizou fundos” para que o projeto “fosse levado avante”.

O VOC — que será “permanentemente atualizado” – é a plataforma que alberga os instrumentos que determinam legalmente a ortografia da língua portuguesa e foi oficialmente reconhecido pelos Estados-Membros da CPLP nas conclusões finais da X Conferência de chefes de Estado e de Governo da CPLP, em julho de 2014, em Timor-Leste.

O VOC — explicou Marisa Mendonça — “mostra a singularidade dos vocabulários nacionais” e, simultaneamente, “a pluralidade da língua portuguesa”, tentando uniformizar a escrita, por exemplo acabando com a dupla grafia de palavras.

Originária de Moçambique, Marisa Mendonça recorre à palavra “capulana” como exemplo. Comum em Moçambique, pois designa os panos coloridos que as mulheres atam à cintura, a palavra “capulana” é mais rara nos restantes países lusófonos.

“Este é um empreendimento gigantesco, inovador, pioneiro, sobretudo para os países africanos lusófonos, e que significa muito trabalho”, destaca Marisa Mendonça, acrescentando que o VOC vai receber em breve também terminologias científicas.

Marisa Mendonça disse ainda que o IILP vai prosseguir com dois outros projetos: o Portal do Professor de Português Língua Estrangeira, plataforma eletrónica que oferece a professores recursos e materiais para o ensino e a aprendizagem do português; e a revista Platô, periódico semestral, em formato digital, de acesso público e gratuito.

“Esta direção continua a considerá-los como projetos bandeira do IILP, que foram muito bem pensados e bem iniciados. O nosso compromisso agora é conversar com as instituições parceiras a forma de desenvolver estes projetos”, disse.

Presente no mesmo seminário, o presidente do Conselho Científico do IILP, Raúl Calane Silva, defendeu que os Governos dos países da CPLP “devem empenhar-se cada vez mais nos projetos, mesmo a nível financeiro”.

As comissões científicas nacionais junto do IILP reuniram-se esta semana, em Lisboa, para discutir questões de ordem científica, técnica e burocrática.

“Um dos grandes propósitos agora é dinamizar as comissões nacionais do IILP em relação a estes projetos principais e também a outros para a consolidação e expansão da língua portuguesa”, realçou Calane Silva.

Fonte: http://oje.pt/mocambique-e-timor-ja-integram-plataforma-comum-da-lingua-portuguesa/

domingo, 11 de janeiro de 2015

O que é ser jovem num país lusófono?

 
“O que é ser jovem num país lusófono?” Este é o tema do concurso escolar destinado a premiar trabalhos que promovam a Lusofonia nas suas várias dimensões histórico, cultural, social e econômica. O concurso é destinado a alunos do ensino secundário de todos os países lusófonos (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste).

Serão admitidos trabalhos inéditos e originais nas seguintes modalidades: produção literária em poesia e prosa; produção escrita, compreendendo o ensaio e a matéria jornalística; artes plásticas: desenho, fotografia, pintura, escultura, cerâmica e maquete; artes performáticas nas vertentes teatro, música e dança e vídeo.

As inscrições estão abertas até 28 de fevereiro de 2015.

Informações, fichas e o regulamento do concurso podem ser obtidos no endereço eletrônico da Rede de Escolas Lusófonas (REL): http://rel.ulusofona.pt/. Todos receberão diploma de participação e os premiados de cada modalidade  ganharão isenção em qualquer curso de estabelecimentos do Grupo Lusófona.

Fonte: https://iilp.wordpress.com/

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Lições de Português Pela Análise Sintática - 19ª Ed. 2014

 
 
Deve-se ensinar análise como um meio, e não como um fim. Este é um princípio sadio de didática que este livro procura alcançar. Cada noção de análise sintática serve de ponto de partida para o estudo global do idioma, máxime de sua delicada e opulenta estrutura sintática.Numa linguagem amena, partindo do simples para o mais difícil, estas Lições de Português, agora enriquecidas e melhoradas, se destinam não só aos alunos do curso médio, bem como aos das últimas séries do curso fundamental, como ainda a todos os que desejam conhecer com perfeição as relações de dependência e independência das palavras dentro da oração, e destas dentro do período, para melhor e mais correta tradução do pensamento.Uma rica seleção de exercícios rigorosamente ordenados, partindo dos fatos idiomáticos mais simples para os mais complexos, permite ao leitor a constante revisão e fixação das informações expostas na parte teórica. Nesta nova edição esses exercícios vêm resolvidos, para permitir ao leitor constante e proveitoso diálogo com o Autor.Por todos estes méritos, as Lições de Português do professor Evanildo Bechara, tantas vezes reeditadas, não se destinam apenas aos limites da sala de aula, mas serão excelente material de consulta e reflexão a todos quantos desejam, com segurança e competência, conhecer os segredos e recursos expressivos da sintaxe e da estilística da língua portuguesa contemporânea.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Carlos A. Faraco e a alteração do acordo ortográfico




Terça-Feira | 29 de Julho de 2014 | 9h15
Carlos Alberto Faraco  – Professor Titular (aposentado) de Língua Portuguesa da Universidade Federal do Paraná. Fez parte da Comissão que, em 2007/ 2008 assessorou o governo federal no processo de implantação do Acordo Ortográfico de 1990 no Brasil. Atualmente é o Coordenador-Geral da Comissão Nacional Brasileira do Instituto Internacional da Língua Portuguesa da CPLP – Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

1. Em 2008, um decreto presidencial introduziu na ordem jurídica nacional o  Acordo Ortográfico de 1990. A adaptação às normas do Acordo teve inevitável custo econômico para a indústria do livro. Qual a situação atual da implantação do Acordo no Brasil e nos demais países de língua oficial portuguesa?

CAF – O Acordo Ortográfico de 1990 está integralmente implantado no Brasil; está em avançado processo de implantação em Portugal (que estipulou maio de 2015 como o prazo final para sua vigência definitiva); e em processo inicial de implantação nos demais países que já o ratificaram. Falta ainda a ratificação em dois países – Angola e Moçambique. Em Moçambique, o processo está mais avançado porque o Conselho de Ministros recomendou ao Parlamento sua ratificação e se acredita que ela será feita ainda na presente legislatura. Em Angola, a questão deve avançar em breve, considerando que os problemas apontados por linguistas angolanos estão sendo equacionados à medida que se elabora o Vocabulário Ortográfico Comum, coordenado pelo Instituto Internacional da Língua Portuguesa, órgão da CPLP a que cabe o trato técnico das questões linguísticas de interesse multilateral.                                            


2. O Acordo de 1990 precisa ser rediscutido?

CAF – Não há nenhuma razão plausível para se defender uma rediscussão do Acordo. Seus objetivos estão sendo alcançados e o próprio processo de sua implantação, já bastante avançado, deixa claro que não há necessidade de rediscutir os termos acordados em 1990.

3. Mas alega-se que o Acordo é omisso em alguns pontos e tem outros pontos mal redigidos.

CAF – O Acordo, como qualquer texto legal, é omisso em alguns pontos (não define, por exemplo, critérios para o aportuguesamento ortográfico de palavras incorporadas de outras línguas) e tem pontos que exigem interpretação (os casos, por exemplo, em que se apresentam algumas exceções às normas gerais devem ser lidos de forma categórica ou facultativa? Ou seja, a exceção é uma grafia obrigatória ou apenas alternativa à grafia prevista pela norma geral?). Tudo isso está sendo devidamente equacionado na elaboração do Vocabulário Ortográfico Comum, sob a coordenação do Instituto Internacional da Língua Portuguesa da CPLP. Interessante observar que na maioria absoluta dos casos há grande coincidência entre as diferentes equipes de especialistas dos vários países quanto ao modo de resolver esses problemas. É importante lembrar que o Acordo não aboliu a tradição ortográfica construída ao longo de séculos. Assim, muitas questões podem ser facilmente resolvidas com apoio na tradição, como aliás já recomendava Fernão de Oliveira, o primeiro gramático da língua, no século 16. Importante também lembrar que o Acordo de 1990 não foi um fato isolado, mas o ponto de chegada de estudos e negociações que começaram na década de 1920 sempre com o mesmo objetivo – não o de reformar a ortografia (as bases fixadas em 1911 nunca entraram em questão), mas o de fazer os necessários ajustes para que a ortografia do português ficasse submetida a um único conjunto de normas, abolindo a dualidade de ortografias oficiais – a lusitana e a brasileira, prejudicial às perspectivas de expansão da língua no contexto internacional.

4. O que é o Vocabulário Ortográfico Comum a que o senhor acaba de se referir?

CAF – O Vocabulário Ortográfico Comum (VOC) é um instrumento de gestão da ortografia que foi previsto pelo Acordo Ortográfico de 1990. Como a ortografia do português, em consequência do Acordo, passou a ser gerida pelo conjunto dos países de língua oficial portuguesa, o texto do Acordo previu a elaboração de um Vocabulário Ortográfico que consolidasse a forma ortográfica das palavras não apenas de um país, mas do conjunto dos países. Para sua execução, o Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP) assinou um convênio técnico com o Instituto de Linguística Teórica e Computacional da Universidade de Lisboa e com a Universidade Federal de São Carlos. E constituiu uma equipe de consultores com especialistas dos países da CPLP. 


5. O Vocabulário Ortográfico Comum (VOC) já está pronto?

CAF – O VOC está em avançado estágio de elaboração. Já conseguimos, pela primeira vez na história da língua, unir numa só plataforma todas as bases léxico-ortográficas portuguesas e brasileiras. Só isso é já um magno acontecimento. Há, contudo, mais: o projeto do VOC está promovendo a elaboração de Vocabulários Ortográficos Nacionais onde ainda não havia nenhum. O de Moçambique e o de Timor-Leste estão prontos e já integrados ao VOC. E os demais em andamento. A primeira versão consolidada do VOC será apresentada na próxima reunião dos Chefes de Estado e Governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) que vai se realizar em julho próximo em Dili (Timor-Leste). Boa parte desta versão já pode ser consultada  gratuitamente na página do Instituto internacional da Língua Portuguesa (www.iilp.cplp.org).

. Que importância tem o VOC?

CAF – Com o VOC, teremos à disposição não apenas uma referência comum e segura da ortografia, mas também um rol de acervos lexicais que vão permitir enriquecer substancialmente os dicionários da língua. Por tudo isso, o projeto do VOC tem recebido apoio institucional de importantes centros de pesquisa em processamento automático de línguas naturais, bem como recursos financeiros de diversas fontes como o Camões-Instituto da Cooperação e da Língua (Portugal) e o governo de Angola.

5. Segundo o decreto presidencial, o tempo de carência para a implantação do Acordo seria de 4 anos, vencendo em 31/12/2012. Em dezembro de 2012, a presidente prorrogou a carência por mais 3 anos. Essa decisão foi acertada?

CAF – Não, esta decisão foi um equívoco. O Acordo já está integralmente implantado no Brasil. Não havia qualquer razão para prorrogar seu prazo de carência. Parece ter ocorrido por insistência de alguns senadores que, segundo noticiou a imprensa, queriam que o Brasil fizesse um gesto de gentileza para com Portugal, onde o prazo de carência do Acordo vence em maio de 2015. Infelizmente, a decisão foi tomada sem que se consultasse a Comissão que assessorou o governo federal em 2007/8 no processo de implantação do Acordo no Brasil. Isso teria evitado o que acabou sendo um vexame internacional para o Brasil. Demos um pretexto para que, nos demais países, houvesse muitos a duvidar de nossa seriedade no trato de questão tão complexa e delicada, quando o nosso processo de implantação (inclusive a definição do prazo de carência, que tomou, por razões óbvias, o calendário do Programa Nacional do Livro Didático como base) foi extremamente cuidado do ponto de vista técnico e político. De qualquer forma, é importante não esquecer que qualquer retrocesso na implantação do Acordo no Brasil implicará enormes prejuízos para as editoras nacionais, além de incalculável e injustificável desperdício de dinheiro público, considerando que todos os milhões de livros do Programa Nacional do Livro Didático têm sido impressos, desde 2010, com a ortografia prevista no Acordo.

6. A Comissão de Educação do Senado constituiu um Grupo Técnico para apresentar propostas de simplificação da ortografia. Como avalia essa iniciativa?

CAF - Infelizmente, ao que tudo indica, a Comissão decidiu patrocinar uma reforma ortográfica “simplificadora” sem que se tenha dado espaço para o contraditório. Até onde se sabe, a Comissão não ouviu nenhum especialista na história da nossa língua e da nossa ortografia; tampouco ouviu representantes da indústria editorial; e também não ouviu nenhum dos educadores que se dedicam ao estudo do processo de alfabetização e letramento. Se o ponto de vista contrário tivesse sido ouvido, teria ficado logo claro que o dissenso nessa matéria é muito maior do que qualquer consenso – o que é indicador suficiente para não se acolher propostas de reformas ortográficas, por mais bem intencionadas que pareçam ser à primeira vista. O dissenso é maior que o consenso por uma razão simples: os impactos econômicos, culturais e educacionais negativos sobrepujam em muito qualquer alegado benefício de uma “simplificação” ortográfica. Não sei onde os senadores querem chegar, mas, considerando os equívocos do ponto de partida, a bom termo não será com toda certeza.

7. Mas a ortografia do português não tem aspectos incongruentes?

CAF – Em matéria de ortografia, qualquer fenômeno apontado como “incongruência” é muito relativo. Incongruência em relação a quê? A ortografia é um complexo sistema de representação abstrata da língua e não uma forma de transcrevê-la diretamente. A transcrição direta (o que alguns chamam de “ortografia fonética” ou “sônica” ou “de acordo com a pronúncia”) é absolutamente impossível: a variedade de pronúncias de uma língua é tão grande que tomá-las como critério resultaria num caos ortográfico. Por isso, qualquer sistema ortográfico, para ser de fato funcional, precisa ser construído a uma boa distância da fala. Por outro lado, qualquer sistema ortográfico é sempre compostonão com base num único critério, mas com base em múltiplos critérios. Há sempre um compromisso entre uma relativa transparência fonológica (uma determinada correspondência não de sons e letras, mas de fonemas e letras – os fonemas são unidades abstratas do sistema fonológico),uma dose de memória etimológica e certos padrões fixados por tradição. No caso do português, a ortografia vem sendo construída há quase um milênio e carrega um pouco de cada um desses critérios, o que reflete diferentes momentos da nossa longa história cultural. Não há, portanto, “incongruências”, mas resultados diversos da multiplicidade de critérios envolvidos na construção histórica da ortografia. Nessa construção, diga-se de passagem, nenhum critério pode ser tomado como único. Nem mesmo o da transparência fonológica porque, de um lado, a língua comporta mais de um sistema fonológico simultaneamente; e, por outro, a língua muda constantemente e a ortografia deve ser estável para que possamos ler textos escritos em diferentes lugares e tempos. Em todo esse debate, é importante também lembrar que a ortografia não existe apenas para termos um código comum para escrever as palavras. Ela é também guia para o processo de leitura. Uma reforma como defendem os “simplificadores” produziria um excessivo número de homógrafos, aumentando sensivelmente os custos cognitivos do processo de leitura. É também por isso indesejável.

8. Alega-se que uma simplificação ortográfica facilitaria a alfabetização, reduzindo inclusive seu custo. O senhor concorda com essa afirmação?

CAF – Este argumento não tem qualquer fundamento. Se a ortografia dificultasse a alfabetização, não teríamos como explicar os elevados índices de alfabetização que alcançaram sociedades em que se fala francês ou inglês, duas línguas que têm ortografias altamente complexas em razão da baixa transparência fonológica e do alto grau de imprevisibilidade. Seria também difícil de explicar as grandes diferenças no índice de alfabetização entre países em que se fala castelhano (cuja ortografia é bastante regular). Como escreveu recentemente o linguista Marcos Bagno (em sua coluna na revista Caros Amigos), a realidade nos mostra que é preciso quebrar esse mito. Diz ele: “é a educação de qualidade que leva um povo a se apoderar de seu patrimônio letrado e a ser capaz de ler e escrever bem, independentemente do tipo de sistema de escrita empregado”.

 Fonte: http://www.cartaodevisita.com.br/conteudo/6878/carlos-alberto-faraco-em-entrevista-fala-sobre-a-alteracao-do-acordo-ortografico

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Português - Gramática Prática



Essa gramática foi especialmente elaborada para solucionar todas as dúvidas no estudo e no uso da língua portuguesa. Traz informações sobre substantivos, artigos, adjetivos, pronomes, verbos, advérbios, fonética, ortografia e morfossintaxe, emprego da crase, figuras de sintaxe, vícios de linguagem, entre outras.

Por ser uma gramática de bolso, ajuda numa consulta rápida e é útil para estudantes e professores de língua portuguesa.

Autor:

Clóvis Osvaldo Gregorim

Mestre em Ciência da Linguagem pela PUC-SP (Linguística Aplicada ao Ensino do Inglês);
Doutor em Educação pela USP (Linguística Aplicada ao Ensino do Português).

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Ação popular contra o Acordo Ortográfico



Várias personalidades, entre elas a ex-ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, subscreveram uma ação judicial popular contra a aplicação do Acordo Ortográfico de 1990 no ensino, apresentada no Supremo Tribunal Administrativo, disse hoje à Lusa um dos signatários.

A ação é subscrita por mais de cem personalidades, da Literatura ao Fado, passando pelo Teatro e pelas Ciências Jurídicas.

A ação judicial popular é contra a aplicação do Acordo Ortográfico de 1990 ao sistema de ensino público, desde o Primário ao Secundário, do 1 ao 12 ano de escolaridade.

A fundamentação da ação "foi preparada a partir de vários pareceres jurídicos, da autoria de Ivo Miguel Barroso, docente da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, e também do filólogo Fernando Paulo Baptista, a partir de seu livro 'Por amor à Língua Portuguesa", recentemente editado, no qual "analisa o distanciamento da ortografia portuguesa, provocado pela aplicação do AO90, em relação às principais línguas europeias (castelhano, francês, italiano, romeno, inglês e alemão), devido à supressão arbitrária das consoantes 'c' e 'p", explicou à Lusa fonte ligada ao processo.

A ação judicial é defendida é defendida pelo advogado Francisco Rodrigues Rocha, que também é docente  da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.

Os mesmos autores interpuseram também um requerimento à Procuradoria Geral da República, no sentido de o Ministério Público intentar uma ação judicial pública contra a aplicação do AO90, contendo já a informação jurídica anexa à ação que apresentaram, disse a mesma fonte.

"O requerimento foi encaminhado para o procurador-geral adjunto coordenador do Ministério Público, junto com o Supremo Tribunal Administrativo", explicou.

Além de Isabel Pires de Lima, subscrevem esta ação os ex-governadores Diogo Freitas do Amaral, António Arnaut, António Bagão Félix, o historiador José Pacheco Pereira, o jornalista Miguel Sousa Tavares, os escritores Manuel Alegre, Joaquim Pessoa e Teolinda Gersão, os ensaístas Miguel Tamen, Raul Miguel Rosado fernandes e Victor Aguiar e Silva, a atriz Lídia Franco, os músicos António Victorino d'Almeida, Lena d'Água, Olga Prats, Pedro Abrunhosa, Pedro Barroso e Rão Kyao, os fadistas António Pinto Basto, João Braga, Maria João Quadros, Vicente da Câmara e José da Câmara.

Fonte http://www.jornalacores9.net/nacional/apresentada-acao-judicial-popular-contra-aplicacao-do-acordo-ortografico-no-ensino/

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

A Gramática para Concursos Públicos


Pensando em oferecer aos candidatos de concursos públicos uma fonte completa e segura para o estudo da língua portuguesa, Fernando Pestana criou "A Gramática para Concursos Públicos". Fruto de mais de dois anos de pesquisas junto a professores e alunos, este livro traz para os estudantes a integra da matéria que precisam para gabaritar as provas de língua portuguesa dos concursos públicos. A obra traz mais de 1.300 questões de provas recentes (todas comentadas!), destacada e resolve polêmicas de acordo com o entendimento das principais bancas organizadoras e dos mais renomados gramáticos, apontando as principais pegadinhas.

Fernando Pestana é formado em Língua Portuguesa pela UFRJ e atua como professor de português em concursos pré-militares, pré-vestibulares e concursos  públicos há 13 anos.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Especialistas criticam problemas no acordo ortográfico

Pasquale Cipro Neto (D) fala em audiência pública presidida por Ana Amélia, com Evanildo Bechara Foto: Geraldo Magela
O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa deve ser mantido, mas com ajustes em situações de falta de clareza nas regras de grafia para facilitar a aplicação e o ensino das novas normas. Essa posição foi defendida pela maioria dos especialistas ouvidos ontem na Comissão de Educação (CE).

Entrevistados pela Agência Senado, os especialistas discordam de proposta de simplificação ortográfica pelo critério fonético, ou seja, a escrita das palavras orientada pela forma como se fala. Esse sistema, se adotado, levaria ao fim do ch, ç, ss e do h inicial, como na palavra hoje, entre outras mudanças. A proposta foi apresentada na terça-feira pelo professor Ernani Pimentel, também em audiência sobre o acordo.

Assinado em 1990 pelos países lusófonos, o acordo entrará em vigor no Brasil em janeiro de 2016. No entanto, desde 2008, com a promulgação do texto, está em curso o processo de transição para as novas regras, já adotadas por editoras, escolas, veículos de comunicação e órgãos públicos. Desde então, o acordo tem sido criticado por imprecisões e regras pouco claras, que permitem diferentes interpretações.

Carlos André Pereira Nunes, professor de língua portuguesa e redação jurídica, relatou divergência entre o acordo e o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp), editado pela Academia Brasileira de Letras (ABL).

— É preciso criar um protocolo mais rigoroso sobre fontes da ortografia da língua portuguesa. Qual é a fonte? É o acordo? É o vocabulário [o Volp, publicado pela ABL]? — questionou Nunes.

Crítico do acordo, o professor Pasquale Cipro Neto, consultor de língua portuguesa, afirma que o texto é ­“nebuloso”, permitindo duas grafias para a mesma palavra, como sub-humano e subumano, e critérios diferentes para palavras que deveriam ser regidas por uma mesma regra, como prequestionar e pré-qualificar, como consta do Volp.

— Não existe obra perfeita, mas os fatos mostram que houve atropelo. Fica evidente que o texto carece de polimento, de uma aparada, de soluções concretas. O acordo precisa passar por uma revisão, precisa ser clareado — disse.

Entre os ajustes sugeridos, Pasquale destaca a necessidade de solução “mais racional e objetiva” para o uso do ­hífen, posição também defendida por Antônio Martins de Araújo, presidente da Academia Brasileira de Filologia.
— O acordo tem que ser celebrado, mas a Academia Brasileira de Filologia bate pé firme em favor da simplificação máxima do uso do hífen — disse Araújo.

Multilateralismo

Na opinião da professora Stella Maris Bortoni, da Associação Brasileira de Linguística (Abralin), não há espaço para revisões unilaterais do acordo.

— A Abralin recomenda que se consolide o acordo ortográfico. O Brasil é signatário do acordo, feito no âmbito da CPLP [Comunidade dos Países de Língua Portuguesa], e não deve fazer alterações unilaterais. Qualquer alteração deve ser multilateral, no âmbito da CPLP — afirmou.

Stella Maris considera urgente a conclusão do vocabulário comum entre os países signatários do acordo. Ela sugeriu aos senadores da CE que lancem mão da autoridade da comissão para recomendar pressa na finalização desse compromisso da CPLP.

Ao fim do debate, o gramático Evanildo Bechara, membro da ABL e representante brasileiro na CPLP, informou que o Instituto de Linguística Teórica e Computacional (Iltec) está encarregado de fazer uma revisão no acordo, o que vem sendo realizado por um grupo de especialistas convocados nos oito países signatários do acordo.

As sugestões de ajustes apresentadas nos debates na Comissão de Educação, disse Bechara, poderão ser consideradas pelos especialistas do Iltec. Ele enfatizou, no entanto, que não estará em exame a proposta de simplificação ortográfica que sugere a mudança do sistema misto atual, etimológico e fonético, para o sistema puramente fonético.

Na condução do debate, a vice-presidente da CE, Ana Amélia (PP-RS), explicou que a comissão exerce o papel de mediação, para que os gramáticos cheguem a um entendimento.

— Não estamos aqui nem de um lado, nem de outro. Queremos chegar a este ponto de reconhecer: existem falhas no acordo? Então, estamos buscando exatamente esse centro para aperfeiçoá-lo, seja em forma de errata, na forma de explicação ou de qualquer outra forma. Esse é o nosso papel — observou.

Fonte: http://www12.senado.gov.br/jornal/edicoes/2014/10/23/gramaticos-defendem-alteracoes-em-acordo

Especialistas divergem em relação ao acordo ortográfico


Em debate nesta terça-feira (21) na Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE), o gramático Evanildo Bechara, membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), defendeu o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, enquanto Ernani Pimentel, presidente do Centro de Estudos Linguísticos da Língua Portuguesa, cobrou maior simplificação gramatical.

As regras do acordo já são adotadas no país, por exemplo por editoras, mas só serão obrigatórias a partir de 2016. Pimentel, no entanto, é contra as mudanças, argumentando que não houve diálogo com a sociedade e com quem atua na área.

Ele lidera movimento para adoção de critério fonético na ortografia, ou seja, a escrita das palavras orientada pela forma como se fala. Por esse critério, a palavra "chave", por exemplo, seria escrita com x (xave), sem preocupação em considerar a etimologia.

– O ensino baseado na etimologia, na pseudoetimologia, é dos séculos que se foram. Podemos agora discutir formas mais objetivas e racionais – diz Pimentel, ao afirmar que a simplificação evitaria que as novas gerações sejam submetidas a “regras ultrapassadas que exigem decoreba”.

Em sentido oposto, Evanildo Bechara considera que a simplificação fonética, “aparentemente ideal”, resultaria em mais problemas que soluções, pois extinguiria as palavras homófonas - aquelas que têm o mesmo som, mas escrita e significados diferentes. Como exemplo, ele citou as palavras seção, sessão e cessão, que ficariam reduzidas a uma só grafia – sesão –, o que prejudicaria a compreensão da mensagem.

– Aparentemente teríamos resolvido um problema ortográfico, mas criaríamos um problema maior na função da língua, que é a comunicação entre as pessoas – frisou.

Facilitação no ensino

No debate, Pimentel afirmou que a simplificação da gramática tornaria mais eficiente e racional o ensino da língua portuguesa nas escolas, facilitando o aprendizado e reduzindo custos. Ele ressaltou que simplificação já conta com 36 mil apoiadores, entre professores e alunos do ensino médio e superior.

Já Bechara disse que, para a ABL, dificuldades na alfabetização e no ensino da língua escrita não se resolvem com a simplificação ortográfica. Se fosse assim, afirmou, seria grande o número de analfabetos na França e na Inglaterra, uma vez que as ortografias francesa e inglesa estão entre as mais complicadas. Ao contrário, observou, são países que estão “na vanguarda da civilização”, resultado de escolas de qualidade e professores competentes.

Na opinião do gramático, o acordo ortográfico reúne qualidades e representa um avanço para o uso do idioma e para unificar regras entre os países lusófonos. Ele ressaltou que os países que assinaram o acordo poderão, depois da implementação das novas regras, aprovar modificações e ajustes, caso necessário.

Também Thais Nicoleti, consultora de língua portuguesa da Folha de S. Paulo e do portal UOL, elogiou mudanças promovidas pelo acordo ortográfico. Ela pediu, por outro lado, que o ensino do português nas escolas seja aprimorado, com exigência de mais leitura.

– A criança deve ser levada a ler, para que saiba se comunicar oralmente e por escrito. Temos que mudar nossas aulas, e não mudar a língua para ficar mais fácil de ensinar – criticou.

Adesão ao acordo

Ao comentar relatos de resistência ao acordo ortográfico em Portugal, Bechara afirmou que as críticas seriam localizadas e que revelam desconhecimento das mudanças propostas. Ele destacou que as novas regras têm a aprovação dos especialistas que representam Portugal nos fóruns de discussão do assunto.

Quanto à dificuldade de adesão em Angola e Moçambique, o gramático considera normal que implantação do acordo seja mais demorada nesses países, devido à existência de diversas línguas locais, ao lado do português.

Fonte: http://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2014/10/21/especialistas-divergem-em-relacao-ao-acordo-ortografico 

domingo, 21 de setembro de 2014

Gramática Objetiva para Concursos


No dia 11 de julho de 2014, na Livraria Cultura, em Brasília, aconteceu um evento que contou com mais de 200 pessoas: o lançamento do livro Gramática Objetiva para Concursos, do Professor Cleiton Natal, que é Licenciado em Língua Portuguesa, e leciona em cursos públicos há 11 anos. Já lecionou em várias escolas, pré-vestibulares, e hoje atua em cursos preparatórios para concurso, ministra também cursos e palestras em órgãos públicos, empresas e faculdades.

Utilizando suas próprias aulas como base para a produção do livro, traz neste conteúdos como: morfologia, sintaxe, termos relacionados a verbos, termos relacionados a nomes, regência verbal e nominal etc.   Temas relevantes cobrados em vários concursos, esta uma obra é da Editora ALUMNUS

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