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quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

2016 promete novidades


Mais um ano acaba, e com ele vem mais debates sobre o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

Pois é!

A nova ortografia começaria pra valer em 1 de janeiro de 2013, mas o Decreto N. 7875  de 27 de dezembro de 2012 prolongou o período de transição para 31 de dezembro de 2015, ou seja, hoje.

Mas, depois de varia audiências públicas na Comissão de Educação, Cultura e Esportes,do  Senado Federal, e a criação de um Grupo de Trabalho Técnico,  sob a supervisão do Senado Federal, e com a OAB entrando nesse grupo, a questão acabou sendo levada à  Academia das Ciências de Lisboa.

Pelo Decreto, a partir do dia 1 de janeiro de 2016 a nova ortografia será a única vigente no Brasil, só que como foi decidido que haverá correções no texto do Acordo Ortográfico e nos vocabulários , e mais haverá um dispositivo jurídico para que o Acordo Ortográfico tenha respaldo jurídico, vamos ver o que será definido.

2016, um ano que promete muito debate.

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Incêndio no Museu da Língua Portuguesa deixa um morto



Um bombeiro civil morreu ao tentar combater o incêndio de grandes proporções que atingiu o Museu da Língua Portuguesa, na Praça da Luz, região central de São Paulo, na tarde desta segunda-feira (21). A informação foi confirmada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), que foi até o local no início da noite. O equipamento abrigava uma exposição do folclorista potiguar Câmara Cascudo desde outubro passado.  

De acordo com o Corpo de Bombeiros, 37 viaturas e 97 homens foram encaminhadas ao local para combater o fogo, que começou por volta das 16h30. Ainda não há informações sobre as causas do incêndio. A fumaça já atingia a Estação da Luz. Na Rua José Paulino, as lojas que costumam fechar às 19 horas encerraram o dia por volta das 17 horas por causa da fumaça que tomou conta da rua. O Museu da Língua Portuguesa fica fechado às segundas-feiras. 

Por volta das 17h10, os bombeiros informaram que as chamas foram controladas e que o incêndio estava em fase de rescaldo. O teto do museu ficou totalmente destruído e o fogo chegou à torre do relógio. O complexo da Estação da Luz é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). 

Em entrevista coletiva, o secretário municipal da Cultura, Nabil Bonduki, disse que um incêndio como o que ocorreu nesta segunda-feira é "devastador para a cultura brasileira". "Esperamos reconstruir o edifício e recolocar o museu em funcionamento", afirmou.

Segundo ele, o ocorrido "alerta para a necessidade de ter as condições de segurança adequadas". Bonduki ainda disse que, só após a saída dos bombeiros, será possível avaliar os estragos provocados pelo fogo. "Pelo que fui informado, o acervo do museu foi preservado", disse.

Trânsito

Segundo a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), a Estação da Luz foi fechada por motivos de segurança. A CPTM recomenda que os passageiros usem o Metrô. Os usuários da Linha 7 desembarcam na Estação Palmeiras-Barra Funda, que tem integração com a Linha 3-Vermelha do Metrô. Já os passageiros da Linha 11-Coral desembarcam na Estação Brás, que também tem conexão com a Linha 3-Vermelha.

A integração da Estação Luz, da CPTM, para as linhas 1-Azul e 4-Amarela do Metrô está fechada. Os usuários podem sair da estação e pegar um ônibus. Segundo a CPTM, a Estação da Luz será reaberta após autorização dos bombeiros. 

Antes
A Estação da Luz de São Paulo foi parcialmente destruída por um incêndio no dia 6 de novembro de 1946. O fogo atingiu boa parte da estação, destruiu os arquivos, documentos e prejudicou a fachada da Avenida Tiradentes. A ala oeste não foi atingida pelas chamas, pois a alta torre da estação - uma réplica da torre Big Ben da abadia londrina de Westminster - serviu de chaminé.

Fonte: http://novojornal.jor.br/cotidiano/incendio-no-museu-da-lingua-portuguesa-deixa-um-morto

sábado, 19 de dezembro de 2015

Neopedagogia da Gramática na ACL



Participação do prof. Francisco Dequi no “Colóquio Ortografia e Bom-senso” com a tese Neopedagogia da Acentuação Gráfica na Academia das Ciências de Lisboa, novembro de 2015.

O colóquio, com duração de dois dias, teve início no dia 09 de novembro de 2015, às 10h, no salão nobre da Academia das Ciências de Lisboa. O presidente da instituição, Artur Anselmo, abriu a sessão com a presença dos membros titulares do sodalício da Academia e com as mais altas autoridades em gramaticologia e em linguística da língua lusa. A pauta seguiu o preestabelecido. O Brasil teve quatro convidados para participar como oradores. Três eram gaúchos: José Carlos Gentili, Francisco Dequi, Celso Augusto Nunes da Conceição. O pernambucano Evanildo Cavalcanti Bechara, atualmente radicado no Rio de Janeiro, teve participação destacada, pois, no Acordo Ortográfico de 1990, coordenou a reforma em nome da comunidade brasileira.

Numa análise superficial, pode-se dizer que o último acordo não satisfez a maioria dos estudiosos da língua portuguesa dos países lusófonos. As críticas foram contundentes. O regramento do uso do hífen foi o mais criticado. A eliminação das consoantes mudas também sofreu intensas restrições. Alguns dos oradores defenderam a manutenção das tradicionais fonemas consonantais mesmo os mudos. Outros pregaram sua extinção.

Houve também oradores que não vislumbram futuro e solidificação do acordo ortográfico, mas acreditam que seu debate é uma tentativa que visa à unificação aproximada da língua lusófona, hoje a quinta mais falada no mundo. Deve-se aceitar e considerar normal a pronúncia diferenciada das vogais, principalmente, a de “e” e de “o” que, em Portugal, tem prolação aberta como em “demónio, bebé” e outras que possuem timbre aberto em Portugal e fechado no Brasil. Há nessas palavras mudança de timbre nessas vogais, mas a tonicidade, nelas, fica nas mesmas vogais. Esses pormenores dificilmente serão unificados. Cada povo continuará pronunciando de sua maneira. E a grafia terá que acompanhar o estabelecido pelo Acordo. Tal fato não causará qualquer prejuízo na comunicação escrita ou falada entre as nações lusófonas.
Duas professoras, neste colóquio, versaram sobre problemas diferentes entre os países. “Propina”, em Portugal quer dizer “taxa” a ser paga por certos serviços. No Brasil, ultimamente, essa palavra passou a traduzir, com muita ênfase, o aspecto criminoso e corrupto de certos percentuais de pagamentos feitos entre setores públicos e seus agentes.

Os programadores do Colóquio “Ortografia e Bom-senso” colimavam saber como o autor da Neopedagogia da Gramática conseguiria justificar que 99,8% dos acentos gráficos oficiais podem ser explicados por meio de uma única regra. A sua tese básica tem o seguinte texto: “Dominada a tonicidade natural das palavras sem diacrítico, 99,8% dos acentos gráficos oficiais da língua portuguesa podem ser explicados com uma única regra”.
O orador gaúcho, em 20 minutos, expôs os três roteiros da tonicidade natural das nossas palavras, com a exemplificação clara exibida em telão e, em seguida, mostrou o papel deslocador da tonicidade realizado pelo acento gráfico oficial, o que corresponde à regra única da neopedagogia do professor Dequi. Novamente, a exemplificação em data show deixou essa dinâmica da tonicidade bem evidente provocada pelo diacrítico – um processo bem simples.
O orador, em seguida, arrolou as inúmeras vantagens dessa neopedagogia da acentuação gráfica: ensina a tonicidade natural de qualquer palavra sem essa marca visual; simplifica o seu domínio, pois dispensa estudar e reter a contagem das sílabas para classificar as palavras em oxítonas, paroxítonas e proparoxítonas; dispensa também diferenciar as vogais das semivogais e os consequentes encontros vocálicos “ditongos, tritongos e hiatos”. Esses pré-requisitos, pela didática do prof. Dequi, não são necessários para justificar os acentos gráficos oficias da nossa língua. São complicadores dispensáveis para a Acentuação Objetiva ensinada pela Neopedagogia da Gramática.
Ao encerrar sua exposição, o prof. Dequi solicitou a colaboração dos participantes para a busca de palavras que não se enquadrem dentro dos três itens da tonicidade natural das palavras sem acento gráfico. Pediu também que fossem apresentadas eventuais palavras que violem a regra única da acentuação gráfica, incluindo, nestas, os 0,2% dos sinais diferenciadores. Um grupo de docentes, no intervalo destinado ao cafezinho, apresentou “um abacaxi”: a palavra “performance” que, na sua escrita, aparece sem acento gráfico tanto nos dicionários lusitanos como nos brasileiros. Tanto pelas regras do Acordo como pelas da Neopedagogia apresentadas, esse vocábulo deveria ser marcado com acento gráfico. Ou por ser proparoxítona ou porque tonificou-se a vogal três. Assim, no fim, chegou-se à conclusão de que a palavra foi mal dicionarizada.

Fonte: http://portuguespelaneopedagogia.blogspot.com.br/2015/12/neopedagogia-da-acentuacao-na-academia.html

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

O ‘Vocabulário Ortográfico da Galiza’ está já em papel

Vocabulário Ortográfico da Galiza, apresentado publicamente em 27 de junho de 2015, dentro do programa do Seminário “Língua, sociedade civil e ação exterior” da Academia Galega da Língua Portuguesa (AGLP), está já disponível no formato impresso. De facto, os primeiros exemplares foram entregados no recente simpósio SIPLE, entre outras personalidades, ao secretário-geral da Política Linguística da Junta, Valentín García Gómez.
Em artigo publicado no sítio web da AGLP, o académico Carlos Durão explica que «a elaboração de umVocabulário Ortográfico da Galiza, como contributo aoVocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa, previsto no texto do Acordo Ortográfico (e ratificado em Lisboa pelos Ministros da Educação e da Cultura dos países membros da CPLP, Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), foi tarefa assumida pela delegação de observadores da Galiza já nas sessões de trabalho das negociações do Acordo Ortográfico, primeiro do 1986 no Rio de Janeiro, e depois do 1990 em Lisboa, hoje vigorado nos países signatários».
A presença de uma delegação da Galiza foi noticiada até no comunicado que, em nome dos Estados lusófonos, anunciava o Acordo da Ortografia Unificada de 1990: «As delegações de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, S. Tomé e Príncipe e Portugal com a participação de uma delegação de observadores da Galiza, reunidas em Lisboa…». Esta menção foi ainda recolhida no no Diário da República Portuguesa (I Série-A, no 193, 23-8-1991, p. 4370), e também na Resolução da Assembleia da República no 26/91, aprovando o Acordo para ratificação.
Esta tarefa, porém, não foi assumida até a constituição da Academia Galega, cuja Comissão de Lexicologia e Lexicografia (CLL) já elaborara um primeiro Léxico Galego, que partilhara com academias e empresas culturais da Lusofonia, a título de mostra, com aproximadamente 2.000 vocábulos de léxico peculiar galego. Muitos desses vocábulos estão hoje recolhidos em dicionários lusófonos diversos, que se podem consultar na rede, ou em vocabulários ortográficos em papel, como o da Porto Editora; e são reconhecidos no corretor ortográfico FLiP8 da Priberam.
Este vocabulário, agora impresso, inclui mais de 154.000 entradas, «número que foi considerado como termo médio razoável», assinala Durão, de maneira que nele coubesse «o vocabulário considerado propriamente galego, junto com ocorpus geral da nossa língua, num amplo vocabulário patrimonial, naturalmente partilhado na sua quase totalidade com toda a Lusofonia».
Quanto à ortografia empregue, é «descritiva ou indicativa, digamos recomendada ou orientadora, mas não prescritiv»a. Por outras palavras, «a escolha é a da norma galega escrita, inclusa no padrão português como a forma galega do português europeu, segundo os parâmetros do Acordo Ortográfico. Por isso, é claro que não obriga ninguém a escrever o seu nome, ou o da sua vila, de uma determinada maneira, e menos ainda a o pronunciar com uma determinada fonética, pois esta corresponde a cada realização concreta dentro do domínio linguístico».
Fonte: http://pgl.gal/vocabulario-ortografico-da-galiza-esta-ja-papel/

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

COLÓQUIO SOBRE “ORTOGRAFIA E BOM SENSO”


O presidente da Academia de Ciências de Lisboa (ACL), órgão consultivo do Governo na política da Língua, defendeu que se devem "reunir, em boa paz", todas as instituições da área linguística e rever o Acordo Ortográfico assinado em 1990.
"Já passou muito tempo, mais de 20 anos, e não se fez rigorosamente nada, para melhorar o Acordo", disse à Lusa Artur Anselmo, presidente da ACL, acrescentando: "O Acordo não é uma Bíblia nem o Corão, e pode ser melhorado".
O secretário de Estado da Cultura admitiu à Lusa que há dificuldades, no que diz respeito à ortografia, que têm "de ser melhoradas".

http://www.sapo.pt/noticias/presidente-da-academia-de-ciencias-de-lisboa-_554df8246e6028224598b285

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Academia das Ciências de Lisboa e a Nova Ortografia


A Academia das Ciências de Lisboa, através do seu Instituto de Lexicologia e Lexicografia, promoverá, nos próximos dias 9 e 10 de novembro de 2015, um colóquio dedicado aos problemas decorrentes do chamado “Acordo Ortográfico de 1990” nos países de língua oficial portuguesa.

Com esta iniciativa pretende-se envolver as comunidades científicas lusófonas numa questão de transcendente importância para o futuro da língua falada e escrita, no respeito e valorização das tradições nacionais, sem prejuízo de eventuais aproximações aconselhadas pelo uso comum do mesmo idioma em circunstâncias idênticas.

Toda a comunidade científica, em Portugal ​e nos restantes países de língua oficial portuguesa, está convidada a participar no colóquio Ortografia e bom-senso, a realizar na Academia das Ciências de Lisboa de 9 a 10 de novembro de 2015.

Os interessados em participar no Colóquio devem enviar um email para illlp@acad-ciencias.pt.

Oradores/as confirmados/as

Artur Anselmo
João Malaca Casteleiro
Manuel Augusto Rodrigues
Sebastião Pinho, Telmo Verdelho
João Lemos de Sousa
Maria Alzira Seixo
Ana Salgado
Teresa Cadete
Fernando Paulo Baptista
José Eduardo Franco
Francisco Miguel Valada
Evanildo Bechara
José Carlos Gentili
Celso Augusto Nunes da Conceição

Fonte: http://plataforma9.com/congresso/lisboa-coloquio-sobre-ortografia-e-bom-senso/

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

OAB quer discutir grafia de palavras com signatários do acordo ortográfico


A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) quer discutir a definição da grafia de algumas palavras da língua portuguesa com os demais países signatários do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.
No dia 12 de novembro, o Conselho Federal da OAB vai apresentar um relatório detalhando as sugestões na Academia de Ciências de Lisboa, em Portugal. A partir de então, o debate poderá ser ampliado também para os países do Ccontinente africano.
No Brasil, o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa passa a ser obrigatório no ano que vem, mas, para a OAB, as novas regras ainda deixam dúvidas na grafia de algumas palavras, que ainda não constam no dicionário da língua portuguesa. A Ordem quer que as sugestões sejam incorporadas ao Sexto Vocabulário Comum da Língua Portuguesa, em 2016.
No início do ano, a OAB buscou a Academia Brasileira de Letras (ABL) e o Ministério das Relações Exteriores para propor definições de palavras que têm impacto no meio jurídico. A intenção agora é levar o debate para os outros países.
“Será o início de um projeto que queremos desenvolver em todas as ordens dos advogados e nos órgãos oficiais desses países”, explica o representante oficial da OAB para assuntos ligados ao Tratado Internacional da Língua Portuguesa, Carlos André Nunes. Além do Brasil, assinam o acordo Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.
Na última terça-feira (6) Nunes conversou sobre questões do acordo em encontro com o embaixador português, Francisco Ribeiro Telles. Segundo o representante da OAB, o tratado ainda é alvo de polêmica, principalmente em Portugal, onde metade da população concorda e metade discorda.
Para o advogado, falta mobilização no Brasil. “Neste momento a sociedade civil precisa debater o assunto. O acordo vai entrar em vigor, mas a nossa preocupação é com o vocabulário, queremos que sejam retirados os problemas que o acordo tem. É importante que outros grupos além da OAB, saibam que também podem fazer sugestões.”
Fonte:http://anec.org.br/blog/2015/10/14/oab-quer-discutir-grafia-de-palavras-com-signatarios-do-acordo-ortografico/

sábado, 12 de setembro de 2015

Suma Gramatical da Língua Portuguesa


Em suas 800 páginas, a Suma Gramatical da Língua Portuguesa - Gramática Geral e Avançada,reflete toda a experiência de seu autor no manejo e no ensino da nossa língua.

A Suma Gramatical da Língua Portuguesa - Gramática Geral e Avançada, não só reafirma a necessidade imperiosa da Gramática e seu caráter essencialmente  normativo,mas aprofunda-se solidamente em seus pressupostos teóricos, a fim de fazer frente tanto aos numerosos ataques que lhe movem  como às próprias debilidades da tradição gramatical.

O autor: Carlos Nougué é Professor de Filosofia, de Tradução e de Língua Portuguesa. Tradutor de Filosofia, Teologia e Literatura (do latim, do francês, do espanhol e do inglês). Lexicógrafo, ganhador  do Prêmio Jabuti de Tradução/1993 e finalista do Prêmio Jabuti/2005 pela traduçãode D. Quixite da Mancha,de Miguel de Cervantes (edição oficial do quarto centenário da edição príncipes).
Já traduziu autores como Cícero, Santo Agostinho, Santo Tomás de Aquino, G.K Chesterton,Louis Lavelle, Xavier Zubiri.

Oocupou a cadeita de Língua Portuguesa e Tradução Literária durante mais de nove meses numa pós-graduação (UFG).

OAB reúne especialistas em acordo ortográfico

28/08/2015
Brasília – A OAB Nacional sediou nesta quinta-feira (27) audiência pública sobre o Novo Acordo Ortográfico, previsto para entrar em vigor em 2016. No evento, que contou com a presença de especialistas na língua portuguesa, foram feitas críticas ao texto elaborado pelos países signatários, principalmente quanto à clareza das regras e como será o impacto na educação do Brasil.
Organizado pelo membro da OAB-GO Carlos André Nunes, a audiência pública teve como convidados a senadora Ana Amélia e os professores Pasquale Cipro Neto e Ernani Pimentel. Os estudiosos são membros de Grupo Técnico do Senado para o Novo Acordo Ortográfico.
O representante da Ordem abriu o evento com uma explicação acerca da importância e do impacto do acordo, trazendo aos presentes os aspectos jurídicos que incidem sobre a língua portuguesa. “É uma questão de direito público o bom aprendizado da norma culta da língua, que está prevista na Constituição Federal e em diversas leis”, afirmou Carlos André.
Para o advogado, a OAB tem papel fundamental na implantação correta do acordo. “A Ordem não vai silenciar frente a um mau acordo, porque isto gerará dificuldades nos processos educacionais. O povo exige que o Brasil seja mesmo uma pátria educadora”, asseverou.
Nunes também destacou a participação da Ordem na elaboração e unificação de grafia de termos técnicos da advocacia com os demais países do acordo, com encontros com a Ordem dos Advogados Portugueses, ente outros.
A senadora Ana Amélia (PP-RS) traçou histórico das discussões sobre o Acordo Ortográfico no âmbito do Parlamento, que conseguiu o adiamento da entrada em vigor do projeto. Foram realizadas diversas audiências públicas e reuniões da Comissão de Educação, Esporte e Cultura. “Saudamos a iniciativa da OAB de realizar mais uma audiência para amadurecermos o assunto”, disse.
Um dos mais respeitados professores de português do Brasil, Pasquale Cipro Net teceu críticas ao acordo, ou como chama, “desacordo ortográfico”. “Houve correria na elaboração do texto, que carece de qualidade e precisão. Várias dúvidas foram resolvidas de forma aleatória e arbitrária. O argumento de que o acordo servirá para fortalecer o português internacionalmente não é verdade, pois várias línguas fortes, como o inglês, mantiveram suas diferenças. As diferenças não têm de ser eliminadas, mas aplaudidas. É importante que a OAB se envolva na questão, pois traz grande respaldo social”, explicou.
Para Ernani Pimentel, também especialista na língua portuguesa, é necessário que a sociedade se envolva mais no assunto, pois toda ela será afetada. “Todos precisam parar e pensar que precisamos escrever de maneira mais sensata. A educação tem que usar lógica e não memorização”, afirmou.  
Propostas

Carlos André Nunes explicou na audiência pública os problemas apontados pela OAB no Acordo Ortográfico, entre eles acentos diferenciais, a acentuação em oxítonas e paroxítonas, o uso do trema em determinadas palavras. Outro tema proposto é a melhoria das regras das iniciais maiúsculas e minúsculas de palavras como “país” e “cidade”.
Na nota técnica, a Ordem também aponta falta de clareza nas regras do hífen, além de problemas na aplicação do instrumento em termos jurídicos como “coerdeiro” e “pré-executividade”. “Propõe-se que o Vocabulário Ortográfico Geral da Língua Portuguesa possua o maior número possível de vocábulos de natureza técnica”, sugere a OAB.
Fonte: http://www.oab.org.br/noticia/28693/oab-reune-especialistas-para-debater-melhorias-em-acordo-ortografico

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Aplicação do Acordo Ortográfico em Timor-Leste ainda é prematura - linguista


"Não se chegou ainda aos níveis de debate de subtileza da língua. Ainda estamos muito longe. A grande prioridade é a disseminação da língua em si e não se é a antiga ou a nova", explicou à Lusa Benjamim Corte-Real, diretor-geral do Instituto Nacional de Linguística (INL) da Universidade Nacional de Timor Lorosae (UNTL).

Corte-Real considerou que, em Timor-Leste, temas como os debates relacionados com o Acordo continuam distantes, apesar do INL estar já a trabalhar no sentido da sua implementação.

"Na comissão nacional do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), trabalhamos já em perfeita sintonia com o AO, embora alguns membros não tenham o domínio perfeito", afirmou.

"O estado de espírito, mesmo a nível do ministério é no sentido de implementar o AO", sublinhou.

Mas esses debates mais técnicos ainda estão longe, até porque importa é disseminar o português por Timor-Leste, processo, disse, que exige "que se intensifique a leitura, se cultive a leitura, a sensibilidade artística da língua".

"Temos que criar um espírito competitivo. Uma campanha forte para se ter noções mais finas do uso da língua. A minha perceção é que há disposição, prontidão por parte da população em geral sobre o português. Basta ir injetando incentivos para as pessoas poderem começar essa nova aposta", afirmou.

Timor-Leste ratificou o AO em 2009, com três resoluções do Parlamento Nacional sobre a matéria: 14/2009 que aprova a adesão, a 18/2009 que aprova o segundo protocolo modificativo e a 19/2009 que aprova o protocolo modificativo.

O tema voltou a suscitar alguma atenção só no ano passado quando se deslocou a Timor-Leste uma delegação do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP) para ajudar a promover a o Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa (VOC), o Portal do Professor de Português (PPPLE) e o Vocabulário Ortográfico Nacional de Timor-Leste (VON-TL).

Tal com ocorre em Portugal ou noutros países, em Timor-Leste também se ouvem vozes com opiniões discordantes sobre vantagens e desvantagens do AO, ainda que, pela situação do país, este seja um debate "muito prematuro".

Sobre aspetos mais técnicos, como um maior recurso á fonética que o AO implica, Corte-Real admitiu que simplificações como retirar letras mudas pode ajudar em palavras 'importadas' do português para o tétum, como 'ação'.

"O tétum segue o princípio de que para começar é melhor começar simples e fácil. Não é sempre fonética, nem fonémica. Mas retirar as consoantes silenciosas, por exemplo, pode, na correspondência, ser uma coincidência feliz", afirmou.

"É maior vantagem para o tétum escrever hospital sem H. Do ponto de vista do tétum. Mas isto não significa que vamos escrever em português sem 'h'. Já retirar o 'c' mudo de uma palavra portuguesa faz muito sentido, no caso das palavras importadas", referiu.

Corte-Real recordou que, nos primeiros anos da ocupação indonésia, quando o indonésio era imposto aos timorenses, muitos também tinha alguma resistência, mas que hoje a realidade é outra.

"O indonésio não foi logo aprendido nos primeiros anos. Foi muita criticado. Aprendiam palavras soltas para passar a mensagem falsa de submissão, para assegurar a sobrevivência. Mas foi sempre visto como algo inferior ao estatuto das línguas já conhecidas em Timor na altura, nomeadamente o português", afirmou.

O Acordo Ortográfico foi ratificado pela maioria dos países lusófonos, à exceção de Angola e Moçambique. Em Angola ainda nem foi aprovado pelo Governo e em Moçambique aguarda a ratificação pelo parlamento.

Portugal e Brasil estabeleceram moratórias para a aplicação do acordo, estando prevista a entrada em vigor efetiva a 13 de maio e a 01 de janeiro próximos, respetivamente.

Fonte: http://noticias.sapo.tl/portugues/info/artigo/1440717.html

Ministro da Cultura do Brasil e AO com harmonização

O Ministro da Cultura do Brasil, João Luiz Ferreira, admitiu hoje ter havido um excesso de normatização do Acordo Ortográfico (AO) em detrimento da harmonização das diferenças entre os vários países de língua portuguesa.
“Acho que talvez tenhamos errado no acordo [ortográfico] porque pensámos mais na normalização como epicentro desse processo de normatização e de fortalecimento da língua e talvez tenha havido um pouco de descuido em relação à construção desse ambiente de cooperação na área da criação”, afirmou o ministro durante a apresentação do Fólio — Festival Internacional de Literatura.
À margem do encontro, João Luiz Ferreira reconheceu à Lusa que o AO “podia ter sido feito com mais harmonização” das diferenças entre os vários países que subscreveram o documento, dado a língua portuguesa ocupar “um espaço geográfico muito grande”, sendo falada “por milhões de pessoas” e desenvolvendo-se “em contextos culturais distintos”.
O acordo, “procura resolver um problema real” e criar “uma base ortográfica comum”, já que “se permitirmos um desenvolvimento ortográfico diversificado não vamos ficar com uma única língua”.
Porém, defende, “para se chegar à regulação de uma língua tão complexa, tão diversa, que vive em contextos culturais tão distintos como a língua portuguesa é preciso começar pelos que se expressam na língua, pelos criadores” e não pelos “normalizadores”.
Em África, “em cada um dos países a língua portuguesa convive e interage com 50 ou 60 outras línguas num processo diário de recriação da própria língua”, lembra, aludindo ainda ao exemplo do Brasil, cujo processo de colonização foi feito “em convivência com línguas africanas, línguas indígenas e construindo um universo muito próprio”.
Daí que o AO “precise de compreender que essa base técnica comum tem que se desenvolver dentro dessa complexidade”, defendeu o governante reconhecendo que o acordo “podia ter sido feito com mais harmonização dessas diferenças”.
Ainda assim Juca Ferreira estima que até ao final do próximo ano, com o Brasil na liderança da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), o AO possa estar implementado em todos os países e que o mesmo possa ser revisto “substituindo algum aspeto que tenha sido detetado e que foi utilizado de alguma forma inadequada”.
A ideia é “revisitar esse acordo permanentemente” para permitir que “a língua e ortografia possam ir evoluindo adequadamente”, concluiu.
Fonte: http://observador.pt/2015/07/07/ministro-da-cultura-do-brasil-defende-acordo-ortografico-com-maior-harmonizacao/

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Marcos Bagno, da UnB, fala sobre Língua Portuguesa


Marcos Bagno nasceu em Cataguases (MG), mas sempre viveu fora de seu estado de origem. Depois de ter vivido em Salvador, no Rio de Janeiro, em Brasília e no Recife, transferiu-se em 1994 para a capital de São Paulo, onde viveu até 2002, quando se tornou professor do Departamento de Lingüística da Universidade de Brasília (UnB), onde atua na graduação e no programa de pós-graduação em Lingüística. Coordena atualmente o projeto IVEM (Impacto do Vernáculo sobre a Escrita Monitorada: mudança lingüística e conseqüências para o letramento escolar).

Leonardo Campos – Um de seus livros mais populares, Preconceito linguístico, está na 50ª edição. O que você atrelaria ao sucesso do livro?

Marcos Bagno – Antes de mais nada, creio que o livro faz sucesso por causa da linguagem que emprego nele. Sem papas na língua, tocando nas feridas e fazendo críticas pesadas a pessoas famosas. Além disso, como tomo partido em favor das pessoas oprimidas, coisa que fica explícita desde a capa do livro, muita gente se identifica como vítima de preconceito linguístico e por isso gosta do livro. Acho também que havia uma lacuna na literatura a respeito desse tema. Muitas pessoas que me escrevem dizem que já tinham pensado nessas coisas deste ponto de vista, mas que jamais tinham encontrado alguém que, de dentro da academia, dissesse tudo com todas as letras.

LC – O ensino de Llíngua portuguesa ainda é controverso na atualidade. Você acredita que há possibilidade de se ensinar lingua portuguesa baseando-se em manuais e regras pré-estabelecidas?

MB – Não, nenhuma controvérsia. As políticas oficiais de ensino já traçam, há mais de dez anos, programas, parâmetros e currículos antenados com os avanços da educação em língua materna e com as pesquisas da lingüística científica. O que existe é uma resistência de muita gente (resistência às vezes irracional) em abraçar os novos paradigmas. Para isso contribui o "desserviço" desses que eu chamo de "comandos paragramaticais", falsos especialistas que se apoderaram dos meios de comunicação para dar lições jurássicas sobre o certo e o errado na língua.

LC – Percebo que A lingua de Eulália e Preconceito linguistico se complementam. É coerente esta citação?

MB – Sim. Na verdade, Preconceito linguístico é fruto de A língua de Eulália. Quando publiquei "Eulália" recebi muitos convites para palestras. Dos textos dessas palestras, pronunciadas em 1998, resultou o livrinho de 1999, Preconceito linguístico.

LC – Qual a sua opinião sobre o Novo Acordo Ortográfico?

MB – Sou plenamente favorável. Com ele, Portugal vai deixar de se arvorar como "dono da língua" e a comunidade internacional vai ter que reconhecer que quem manda mesmo hoje na língua portuguesa é o Brasil, país infinitamente mais importante que Portugal, em todos os sentidos.

LC – Um dos grandes sustos que levamos ao adentrar na universidade é o fato de que nos deparamos com a gramática normativa sendo desconstruída pela gramática descritiva. Parece que estamos desconstruindo algo que iremos reconstruir depois para utilizar em sala de aula. O que acha disso?

MB – As pessoas que ainda acham que vão ter que ensinar a gramática normativa é que estão enganadas. Sei que muita gente acaba escolhendo a pedagogia tradicional do certo e do errado porque não tem formação adequada para trabalhar com os novos conceitos de educação linguística (letramento, variação, discurso, pragmática etc.). Além disso, os livros didáticos mais escolhidos pelos professores ainda são, infelizmente, os de perfil mais gramatiqueiro. No entanto, já está provado que não tem cabimento nenhum despejar em sala de aula a doutrina gramatical tradicional em vez de ocupar o precioso tempo da escola com o que realmente interessa: ler e escrever.

LC – Como o senhor lida com algumas críticas ao seu trabalho, que alegam exagero da sua parte em relação aos preconceitos linguísticos?

MB – Lido com tranquilidade, porque sei que muitas vezes por trás delas está uma ideologia francamente reacionária, às vezes até fascista. Além disso, o que eu digo está em pleno acordo com os desenvolvimentos mais recentes da linguística e da pedagogia de línguas. Grandes nomes da linguística e da educação apóiam plenamente o meu trabalho, de modo que a crítica dos não-especialistas não me incomoda em nada.

LC – E o excesso de livros publicados com regras no uso do bom português, do português ideal?

MB – Este é um fenômeno desolador, que analisei na minha tese de doutorado. Os "comandos paragramaticais" representam a reação conservadora aos novos paradigmas educacionais. Enquanto o MEC vai para um lado, esses aventureiros da mídia vão para o outro, ou melhor, para trás, tentando reverter o que já é irreversível.

Créditos: Leonardo Campos, Graduando em Letras Vernáculas com Habilitação em Língua Estrangeira Moderna - Inglês - UFBA | Membro do grupo de pesquisas “Da invenção à reivenção do Nordeste” – Letras – UFBA | Pesquisador na área de cinema, literatura e cultura
http://www.passeiweb.com/estudos/sala_de_aula/atualidades/marcos_bagno_da_unb_fala_sobre_lingua_portuguesa

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Literatura Popular integra o curso de Letras/UPE


A Universidade de Pernambuco (UPE) é a primeira do Brasil a implantar a disciplina de Literatura Popular como obrigatória no curso de graduação em Letras. A inclusão se deu depois da última reforma das grades curriculares dos cursos de Licenciatura em Letras no campus da instituição em Nazaré da Mata, nas licenciaturas de Português/Inglês e Português/Espanhol. Agora, a prova do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) deste ano, no componente específico da área de Letras tomará como referencial também as manifestações populares da Literatura.

O professor da disciplina na UPE, Josivaldo Custódio da Silva - Doutor em Literatura Popular - foi quem entrou em contato com o Instituto Nacional de estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão responsável pelo sistema de avaliação do Enade, para saber a possibilidade da inserção da Literatura Popular nos conteúdos programáticos referentes aos estudos literários do exame. "O resultado foi favorável à inclusão". Ainda segundo o professor, a Portaria n 258, de 2 de junho de 2014, Artigo 7, inciso II, alínea g, passa contemplar o assunto na prova do exame, a partir deste ano.

Fonte: http://www.upe.br/portal/noticias/upe-implanta-disciplina-de-literatura-popular-no-curso-de-letras/

domingo, 17 de maio de 2015

Acordo Ortográfico é obrigatório em Portugal


A partir do dia 13 de maio de 2015 passa a ser obrigatório, oficialmente em Portugal, o uso do novo acordo ortográfico (AO) da língua portuguesa. Cumprem-se assim seis anos do período de transição, tendo em conta a data de 13 de maio de 2009, que marcou sua entrada em vigor em Portugal.

O assunto, ao longo dos anos sempre gerou uma polêmica exponencial, e hoje há várias ações em tribunal para travar o processo. O que pensam os agentes da palavra sobre isso? É ,ou não, benéfico para a sociedade o novo acordo ortográfico?

Acordo tem erros gramaticais.

Quem o afirma é Maria João Santos, professora de português da Escola Secundária da Amadora.
"Com este novo acordo perdemos letras que representavam sons que abriam as nossa vogais. Perdemos consoantes importantes. Agora escrevemos 'receção' e 'recessão'. Na oralidade fica-se sem perceber se se fala da 'recessão econômica' ou 'receção de alguma coisa", graceja.

"A perda dos hífenes não faz sentido em termos gramaticais, porque nós dizíamos 'fim-de-semana' e isto era uma palavra composta. Agora, com o acordo, dizemos que um substantivo. E não é nada. São três substantivos, 'fim', 'de', 'semana'. O acordo gramaticalmente, tem muitas falhas", sublinha a professora.

Fonte:http://jpn.up.pt/2015/05/13/acordo-ortografico-agora-obrigatorio-nao-unanime/

terça-feira, 24 de março de 2015

OAB pede mudanças no Acordo Ortográfico.



Escreve-se Lava-jato ou lava jato? Hora extra ou hora-extra? O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa passa a ser obrigatório no ano que vem, mas a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), ainda deixa dúvidas na grafia de certas palavras como essas, que ainda não constam nos dicionários da língua portuguesa. Para buscar maior clareza, a OAB decidiu conversar com representantes do governo e da Academia Brasileira de Letras (ABL) para propor mudanças nas regras do acordo.

A reunião hoje (16/03/2015) foi no Itamaraty e amanhã (17/032015) haverá discussão com membros da ABL. A intenção é que, até setembro, sejam consolidadas mudanças para eliminar brechas na grafia de determinadas palavras. "O acordo ainda não está claro. Queremos fazer algo mais lógico. A língua não é feita para intelectuais. O povo tem que saber grafar. Perde-se muito tempo sendo alfabetizado", diz o especialista em língua portuguesa e representante da OAB para Assuntos sobre Nova Ortografia, Carlos André Nunes

No Itamaraty, Nunes reuniu-se com o secretário Jorge Tavares, do Departamento do Itamaraty para Promoção da Língua Portuguesa. A OAB pediu uma cadeira na comissão nacional que acompanha o Tratado Internacional do Acordo Ortográfico. Para tanto ,deve se reunir ainda com representantes do Ministério da Educação e novamente com o pessoal do Itamaraty. Uma reunião com a comissão deverá ser marcada, "o mais breve possível", para a discussão técnica de possíveis mudanças.

Uma das questões principais em debate é o uso do hífen. A tão escrita Lava jato, que dá nome à operação da Polícia Federal que investiga desvio de recursos na Petrobras, entra no rol das palavras duvidosas. "A imprensa grafa de todas as maneiras, com e sem hífen. O acordo não está claro. Quando duas palavras se juntam e dão origem a outra palavra, tem hífen. Mas segundo a academia, quando se perde a noção de composição e não se  sabe a origem da palavra, como é o caso, não se usa hífen", explica Nunes.

Há dúvidas também em palavras usadas no meio jurídico, como hora extra, que pode ser usada com hífen, caso se entenda que é um termo único, ou sem ele, quando se entende o termo como uma hora extraordinária. No último caso, extra é característica da hora.

Outras dúvidas surgem no uso das letras maiúsculas ou minúsculas, como no caso de país. A OAB vai sugerir que a palavra seja grafada com letra maiúscula quando se referir a um termo já citado. Por exemplo, se um texto mencionar Brasil e logo em seguida país, escreve-se País. A OAB também não está satisfeita com a eliminação do trema, que segundo a entidade, é fundamental para definir a pronúncia de determinadas palavras.

Segundo Nunes, a questão passa a ser competência da OAB na medida em que consta na Constituição Federal , devendo, então, ser protegida pela entidade.

O acordo que visa a padronização das regras ortográficas foi assinado em 1990 com outros países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). No Brasil, o acordo foi ratificado em setembro de 2008 e as novas regras já estão em uso, embora em caráter não obrigatório, desde 1 de janeiro de 2009. Caso as sugestões sejam aceitas, serão levadas aos demais países que integram o acordo: Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissal, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe.

A OAB solicitou audiência também com o Senado e Casa Civil da Presidência da República, e espera que haja posicionamento de ambos quanto ao agendamento até o final da semana.

Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2015-03/oab-pede-mudancas-no-acordo-ortografico-da-lingua-portuguesa

sábado, 14 de março de 2015

O Acordo Ortográfico vai ter que ser cobrado politicamente


É bom que se saiba quem, na classe política, foi a favor do Acordo Ortográfico que desfigurou a língua portuguesa, porque o povo português terá direito a um ajuste de contas com a História. 

Desde logo e em primeiro lugar, todos os ministros da Educação desde 1990: quem cala, consente. Depois, todos os primeiros-ministros desde essa data; todos os presidentes da república e principalmente o actual que era primeiro-ministro quando Santana Lopes — o dos “violinos de Chopin” — assinou o acordo com as “santanetes” brasileiras. 

É preciso que mantenhamos a memória; é preciso não esquecer e legar a memória da desgraça às gerações futuras. 

Nunca a liberdade é tão grande quando no-la querem tirar, quando nos pretendem oprimir; e não há maior opressão do que aquela que nos pretende retirar a identidade. E, neste sentido, a III república tem sido uma tirania, não só alienando a soberania portuguesa e fazendo ajoelhar a pátria, como chegando ao ponto de sonegar ao povo a sua própria identidade. 

“A imposição do Ministério da Educação desagrada a muitos alunos e professores e, na Escola Secundária de Camões, em Lisboa, os estudantes criaram uma comissão que está a lutar pela tolerância. Uma das primeiras medidas da Comissão Estudantil para a Tolerância quanto ao AO90 nos Exames foi o lançamento de uma petição online.”
→ Acordo ortográfico: a luta já chegou aos alunos

Orlando Braga
13 de Março de 2015


Fonte: http://historiamaximus.blogspot.com.br/2015/03/o-acordo-ortografico-vai-ter-que-ser.html

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Moçambique e Timor já integram plataforma comum da língua portuguesa

 
20 Fevereiro, 2015 17:55

Os vocabulários de Moçambique e Timor-Leste já integram a plataforma comum criada pelo Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), a que Cabo Verde se juntará em maio, adiantou hoje a diretora deste organismo.

Desde quarta-feira, estão disponíveis quatro vocabulários nacionais — de Portugal, Brasil, Moçambique e Timor-Leste — na plataforma Vocabulário Ortográfico Comum (VOC), disponível para consulta pública através do portal do IILP, organismo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Em declarações à Lusa, à margem do seminário “Projeção Internacional da Língua Portuguesa: presente e futuro”, que hoje se realizou na sede da CPLP, em Lisboa, a diretora executiva do IILP adiantou que o vocabulário de São Tomé e Príncipe “já está parcialmente elaborado”, mas precisa ainda da “validação das autoridades nacionais”.

Marisa Mendonça destacou “a inexistência de recursos humanos” para “o trabalho profundo de lexicografia” necessário à construção do VOC, para justificar os ritmos “diferentes” dos países lusófonos.

Trata-se de “um processo em desenvolvimento”, frisou. “Não sabemos dar informações” sobre Angola, disse, realçando, porém, que o governo de Luanda “disponibilizou fundos” para que o projeto “fosse levado avante”.

O VOC — que será “permanentemente atualizado” – é a plataforma que alberga os instrumentos que determinam legalmente a ortografia da língua portuguesa e foi oficialmente reconhecido pelos Estados-Membros da CPLP nas conclusões finais da X Conferência de chefes de Estado e de Governo da CPLP, em julho de 2014, em Timor-Leste.

O VOC — explicou Marisa Mendonça — “mostra a singularidade dos vocabulários nacionais” e, simultaneamente, “a pluralidade da língua portuguesa”, tentando uniformizar a escrita, por exemplo acabando com a dupla grafia de palavras.

Originária de Moçambique, Marisa Mendonça recorre à palavra “capulana” como exemplo. Comum em Moçambique, pois designa os panos coloridos que as mulheres atam à cintura, a palavra “capulana” é mais rara nos restantes países lusófonos.

“Este é um empreendimento gigantesco, inovador, pioneiro, sobretudo para os países africanos lusófonos, e que significa muito trabalho”, destaca Marisa Mendonça, acrescentando que o VOC vai receber em breve também terminologias científicas.

Marisa Mendonça disse ainda que o IILP vai prosseguir com dois outros projetos: o Portal do Professor de Português Língua Estrangeira, plataforma eletrónica que oferece a professores recursos e materiais para o ensino e a aprendizagem do português; e a revista Platô, periódico semestral, em formato digital, de acesso público e gratuito.

“Esta direção continua a considerá-los como projetos bandeira do IILP, que foram muito bem pensados e bem iniciados. O nosso compromisso agora é conversar com as instituições parceiras a forma de desenvolver estes projetos”, disse.

Presente no mesmo seminário, o presidente do Conselho Científico do IILP, Raúl Calane Silva, defendeu que os Governos dos países da CPLP “devem empenhar-se cada vez mais nos projetos, mesmo a nível financeiro”.

As comissões científicas nacionais junto do IILP reuniram-se esta semana, em Lisboa, para discutir questões de ordem científica, técnica e burocrática.

“Um dos grandes propósitos agora é dinamizar as comissões nacionais do IILP em relação a estes projetos principais e também a outros para a consolidação e expansão da língua portuguesa”, realçou Calane Silva.

Fonte: http://oje.pt/mocambique-e-timor-ja-integram-plataforma-comum-da-lingua-portuguesa/

domingo, 11 de janeiro de 2015

O que é ser jovem num país lusófono?

 
“O que é ser jovem num país lusófono?” Este é o tema do concurso escolar destinado a premiar trabalhos que promovam a Lusofonia nas suas várias dimensões histórico, cultural, social e econômica. O concurso é destinado a alunos do ensino secundário de todos os países lusófonos (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste).

Serão admitidos trabalhos inéditos e originais nas seguintes modalidades: produção literária em poesia e prosa; produção escrita, compreendendo o ensaio e a matéria jornalística; artes plásticas: desenho, fotografia, pintura, escultura, cerâmica e maquete; artes performáticas nas vertentes teatro, música e dança e vídeo.

As inscrições estão abertas até 28 de fevereiro de 2015.

Informações, fichas e o regulamento do concurso podem ser obtidos no endereço eletrônico da Rede de Escolas Lusófonas (REL): http://rel.ulusofona.pt/. Todos receberão diploma de participação e os premiados de cada modalidade  ganharão isenção em qualquer curso de estabelecimentos do Grupo Lusófona.

Fonte: https://iilp.wordpress.com/

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