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sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Linguista Critica Texto do VOLP


A quinta edição do VOLP (Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa) lançado em 2009 pela ABL (Academia Brasileira de Letras) para atender ao Novo Acordo Ortográfico, não teve o amadurecimento necessário para ser publicado, segundo a professora Maria Helena de Moura Neves da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp (Universidade Estadual Paulista).

A linguista explica que a lista elaborada pela ABL, que deveria conter as principais mudanças nas palavras da ortografia brasileira, não cumpre completamente o seu objetivo. De acordo com ela, palavras muito usadas e que geram incertezas sobre o emprego do hífen, como macrorregião, não estão presentes no VOLP.

"Nós não estamos com 100% de suporte para resolver a ortografia de todas as palavras da língua portuguesa", diz Maria Helena. Segundo ela, o que se tem feito para definir a forma como macrorregião, por exemplo, é escrita, é analogia com outras palavras de formação similar, como mesorregião.

O gramático Evanildo Bechara, membro da ABL, explica que as palavras com a mesma estrutura morfofonética devem, de fato, ser usadas por analogia. Para o caso de macrorregião, explicou Bechara, serviriam macrorranfo, macrorranfoso, macrorrino e macrorrizo. "Nenhum dicionário de língua alguma contém todas as palavras existentes nesse idioma", defendeu.

Bechara não concorda que falte amadurecimento do VOLP. "O amadurecimento esta mais do que comprovado pelas cinco edições anteriores do VOLP, com o início em 1982. Tendo em vista que são poucas as alterações gráficas trazidas pelo Acordo de 1990, foi suficiente o prazo de 1990 a 2009", disse.

Segundo Maria Helena, porém, exitem outas dificuldades quanto ao uso do hífen. "O Acordo diz que se a segunda palavra começar por h, vai haver hífen. Mas o Acordo diz em outro lugar que, às vezes, quando a segunda palavra começa por h na hora de juntar com outra, ela o perde. Então, você fica em dúvida, perde o h ou não o perde? Essas coisas precisam ser resolvidas por especialistas", defende.

Para Maria Helena, porém, as bases do Acordo Ortográfico, aprovadas em 1990, deveriam  ter sido mais bem estudadas durante o tempo que levou para entrar em vigor."Quando saiu, o texto não tinha passado pela reflexão, pelo exame, pelo cuidado que poderia ter sido dado a ele durante o tempo em que ficou no limbo, parado", disse. "houve um defeito de condução política e governamental", acrescentou.

Fonte: http://educacao.uol.com.br/noticias/2012/12/21/linguista-critica-texto-do-vocabulario-ortografico-da-lingua-portuguesa.htm

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